Operação que prendeu Arcanjo pode ter desdobramentos e prisões de lideranças em outros Estados


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Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Fonte: Olhar Direto

A ‘Operação Mantus’, deflagrada no fim de maio e que culminou na prisão de João Arcanjo Ribeiro, poderá ter novos desdobramentos e até prisões de lideranças do ‘jogo do bicho’ em outros Estados. O ex-comendador, segundo a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), tem ligações com bicheiros do Rio de Janeiro, onde os sorteios da modalidade criminosa são realizados.
 
“No caso do Arcanjo, sabemos do elo dele com alguém do Rio de Janeiro, alguém forte de lá. Podemos fazer diligências em qualquer cidade do Brasil, desde que o nosso secretário autorize as viagens. O sorteio dos bichos não é feito aqui e sim Rio de Janeiro (no caso de Arcanjo) e Goiás”, disse o titular da GCCO, Flavio Stringuetta.
 
A Colibri, que segundo as investigações pertence a Arcanjo, seria uma espécie de filial desta central que existe no Rio de Janeiro, funcionando como uma espécie de lotérica. Os sorteios são realizados todos naquele Estado.
 
As investigações da ‘Operação Mantus’ apontaram também a ligação do empresário Frederico Muller Coutinho, que é delator da ‘Sodoma’ e seria o dono da FMC (concorrente da Colibri), com o bicheiro de Goiás, Carlinhos Cachoeira, que ficou nacionalmente conhecido por estar envolvido em um esquema de corrupção que buscava fundos para a campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores e do Partido Socialista Brasileiro no Rio de Janeiro.
 
“É complicado trabalhar com polícia de outro estado em que lá eles não combatem o jogo do bicho”, disse o delegado Flavio Stringuetta, dando a entender que as investigações devem continuar sendo comandadas pela GCCO.
 
Até agora, os depoimentos colhidos dos membros da Ello, em que diversas pessoas confirmaram a participação e a liderança do empresário, complicam Frederico Coutinho, conforme o delegado.
 
O empresário Frederico Müller Coutinho é um dos delatores da Operação Sodoma, que investigou fraudes que resultaram na prisão do ex-governador Silval Barbosa. Müller trocava cheques no esquema e chegou a passar dinheiro para o então braço direito do ex-governador. Os cheques teriam sido emitidos como parte de um suposto acordo de pagamento de propina ao grupo político do ex-governador.
 
A operação
 
A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), deflagrou na manhã do dia 29 de maio a Operação Mantus, com o escopo de prender duas organizações criminosas envolvidas com lavagem de dinheiro e com a contravenção penal denominada jogo do bicho.
 
A operação visou dar cumprimento a 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar, expedidos justamente pelo juiz da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu.
 
As investigações iniciaram em agosto de 2017, descortinando duas organizações criminosas que comandam o jogo do bicho em Mato Grosso. Ambas movimentaram em um ano, apenas em contas bancárias, mais de R$ 20 milhões.
 
Uma das organizações seria liderada por João Arcanjo e seu genro, Giovanni Zem Rodrigues. A outra é liderada por Frederico Muller Coutinho.

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