Fala meu Povo MT

Três são detidos sob suspeita de captação ilícita de clientes

Três homens foram detidos sob suspeita de participação em um esquema de captação ilícita de clientes, supostamente a mando de advogados, na segunda-feira (25), em Cuiabá.

Toda ação foi acompanhada por membros do Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) e da Procuradoria da Ordem dos Advogados do Brasil Mato Grosso (OAB-MT) em apoio aos profissionais que atendem um cliente coagido pelo trio. 

A advogada Suzinete Almeida denunciou a ação depois que um cliente seu começou a ser procurado pelos suspeitos, inclusive fazendo uso de práticas de intimidação e ameaças.

Conforme a advogada, os homens alegavam ao seu cliente que facilitariam o recebimento de um valor depositado judicialmente, desde que recebessem a metade em troca. Para isso, entraram inclusive em contato com seu escritório se fazendo passar pelo cliente.

Para obter as informações a respeito do alvará para pagamento do valor em juízo, os suspeitos teriam tido acesso ao sistema processual da Justiça de Mato Grosso, o Projud, mediante senha disponibilizada por algum profissional da advocacia.

Além disso, para forçar a pessoa a receber o valor e fazer a divisão com eles, teriam ainda apreendido e levado sua moto para outro local, como forma de intimidação, de acordo com relato da advogada.

Para o advogado Diego da Cruz, que deu apoio à denunciante na ação, é necessário deixar o acesso ao Projud mais transparente, ou seja, com a realização do registro de pessoas que entrarem no sistema para ver os processos.

“Como acontece no PJe, em que fica registrado quem foi que teve acesso. Isso é uma forma de controle que dá mais transparência”, comentou. 

A medida foi endossada pelo membro do TDP que acompanhou o registro do flagrante na delegacia, o advogado Gilberto Scheir. Conforme ele, a proposta para que o registro do acesso aos processos por meio do Projud seja feito seria levado pela OAB-MT ao Tribunal de Justiça.  

Os acusados responderão por tentativa de extorsão, corrupção ativa e formação de quadrilha.

Outro caso

Para a OAB-MT é fundamental descobrir quem são os profissionais da advocacia agindo por trás dos captadores para que sejam enquadrados nas faltas éticas e disciplinares previstas na Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia) – em que o inciso III do artigo 34 condena o uso de agenciador, mediante participação de honorários a receber – e no Código de Ética e Disciplina (artigo 7º), que explicita a vedação de oferecimento de serviços profissionais que impliquem, direta ou indiretamente, inculcação ou captação de clientes.

“Essa foi uma ação conjunta. A advocacia, a OAB-MT não aceitará a captação ilícita de clientes e nós combateremos isso veementemente. Isso é uma afronta à advocacia, afronta à dignidade da nossa profissão, um aviltamento de honorários e, onde estivermos, combateremos com todas as nossas forças”, declarou o presidente da OAB-MT, Leonardo Campos, que agradeceu aos advogados que denunciaram os fatos e aos membros do TDP e da Procuradoria da Ordem que acompanharam a condução.  

Na semana anterior, após denúncia da subseção de Peixoto de Azevedo da OAB-MT, dois homens que estavam praticando captação ilícita de clientes também foram presos em flagrante pela Polícia Militar no município.

Utilizando uma credencial identificada como “Defesa do Consumidor – Consultor Autorizado Serasa e SPC”, os homens estavam abordando os moradores de Peixoto de Azevedo em postos de combustíveis, solicitando o número do Cadastro de Pessoa Física (CPF) para consultar possíveis irregularidades. Na ocasião, também eram distribuídos panfletos oferecendo a “limpar o nome” junto aos serviços de proteção de crédito e consultas gratuitas aos cadastros.

A ocorrência foi registrada pelo advogado Arlon Souza Porto, a pedido do presidente da OAB Peixoto de Azevedo, Marcus Augusto Giraldi Macedo, no 22º Batalhão da Polícia Militar.

“Nós conclamamos a união da classe, cada advogado e advogada que trabalha sério nos ajudando, nos auxiliando é que poderemos ter êxito no combate a esses que estão cometendo crimes utilizando-se ou beneficiando-se da profissão de advogado. É essencial, também, que a sociedade nos ajude a combater esta prática. Não acreditem em promessas fáceis e tomem todos os cuidados. Procurem sempre profissionais de confiança e confiram no Cadastro Nacional da Advocacia se esta pessoa está devidamente inscrita na OAB-MT”, reforçou o presidente Leonardo Campos.

 

Fonte: Mídia News

Sair da versão mobile