AL mantém veto a projeto de distribuição de absorventes nas escolas e Fávero diz que a razão é “ciúmes de homem”


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Foto: ALMT

Fonte: Olhar Direto

O Governo do Estado vetou o Projeto de Lei nº 1273/2019, que propunha a distribuição de absorventes higiênicos nas escolas públicas estaduais de Mato Grosso, e o veto foi mantido na manhã desta quarta-feira (30) pelos deputados da Assembleia Legislativa. Para o autor da proposta, deputado estadual Silvio Fávero (PSL), a decisão se deu por “ciúmes de homem”, e porque os outros parlamentares não querem que ele “seja artilheiro”.

Segundo o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Eduardo Botelho (DEM), o Governo entendeu que a distribuição dos absorventes seria muito difícil. “O governo alega que há um controle muito difícil do controle disso, de controlar isso nas escolas, a distribuição, tornaria muito complicado nas escolas esse controle e poderia vir a atrapalhar no ensino isso… você teria que criar no estoque especial, e aí fazer o controle, então a alegação do governo é em relação a essa dificuldade pra se controlar e se distribuir isso e fazer com que realmente chegue só naquelas pessoas de baixa renda, também é muito complicado. Então é entender que é um assunto muito difícil de controle, e que não cabe ao Estado ficar numa coisa dessa que não vai ter como fazer o controle dele”, afirmou.

Fávero, no entanto, considerou tanto o veto quanto a manutenção do mesmo em plenário como absurdo, e que a população vai se lembrar disso nas eleições. “A gente fica triste com essa situação, porque é um projeto que vem de encontro com a sociedade, principalmente com as mulheres, e aí falam que o absorvente as menores não precisam de absorventes, agora preservativo precisa? O absorvente vem para mulher querendo ou não querendo, a menstruação né, agora o preservativo faz quem quer, e isso tem campanha!”, disse.

O objetivo do projeto era, segundo o PL publicado, “Combater a precariedade menstrual, identificada como a falta de acesso ou a falta de recursos que possibilitem a aquisição de produtos de higiene e outros recursos necessários ao período da menstruação feminina” e “Reduzir faltas em dias letivos de educandas em período menstrual e, por decorrência, evitar prejuízos à aprendizagem e ao rendimento escolar”.

O deputado estadual Wilson Santos (PSDB), que defendeu o PL no plenário, citou inclusive o documentário ‘Absorvendo o Tabu’, vencedor do Oscar em 2019. O filme, da cineasta Rayka Zehtabchi, tem 26 minutos de duração e aborda a menstruação no contexto das mulheres indianas. A produção revela que diversas meninas chegam a deixar os estudos por conta da menstruação, e aborda como o assunto ainda é um tabu no país.

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