Banhistas espalham sujeira e ameaçam Cachoeira da Martinha

Empresário é obrigado a pagar caçamba para recolher lixo deixado nos finais de semana

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Reprodução

Midia News

A falta de limpeza da Cachoeira da Martinha, na divisa dos Municípios de Chapada dos Guimarães e Campo Verde, está comprometendo o meio ambiente, banhistas e a comunidade da região.

Proprietário de uma pequena mercearia na Cachoeira, João Batista, de 61 anos, relatou ao MidiaNews a falta de apoio do poder público para a manutenção do local.

De acordo com Batista, os banhistas produzem lixo em grande quantidade e não recolhem. “A gente cuida para não deixar acabar. Os visitantes acham que nós temos a obrigação de limpar, porque eu não vejo ninguém limpando lá. Alguns ainda trazem uma sacolinha e deixam pendurada em algum lugar. 

Para reduzir a depredação, o proprietário do estabelecimento paga do próprio bolso R$ 580 mensalmente para uma empresa disponibilizar uma caçamba e recolher o lixo. “Tem que pagar senão vira uma imundice. Essa sujeira é de dois dias”, diz, mostrando a caçamba cheia de dejetos.

Além da caçamba, mutirões periódicos são feitos pelo comerciante e comunidade do local.

“O pessoal do Meio Ambiente vem aqui e só fotografa e não faz mais nada. Fazem isso para mandar fechar o local e notificar o dono da área”, denuncia João Batista. 

A sugestão de João Batista é de que haja uma parceria entre o proprietário da área e o poder público. “O proprietário tem a sujeira deixada ali? Se ele não lucra nada ali com o local?”, questiona.
No aplicativo do “Trip Advisor”, que avalia atrações turísticas no Mundo todo, os usuários indicam a visita a Cachoeira da Martinha, contudo não deixam de mencionar a sujeira. 

“A questão não é o lugar ficar cheio, mas a falta de respeito à natureza das pessoas que visitam. Não carregam o seu lixo, colocam o som nas alturas transformando um lugar idílico em uma sucursal do inferno”, escreveu um dos usuários.  

Outra frequentadora atribuiu duas estrelas (em uma escala que vai até cinco) ao local e alertou sobre o lixo deixado pelo usuário.  

“Nem a Prefeitura de Chapada, muito menos a de Campo Verde assumem o controle e fiscalização. Aí faz-se de tudo: churrasco, consumo de álcool, produção e descarte de lixo em todos os lugares sem nenhum critério ou cuidado”, revela.

Nas avaliações do local no Google, o lixo também é fala recorrente. “Lugar bonito, agradável. Pena que é frequentado por porcos, que deixam o lixo onde passam”, pondera um dos usuários.

MidiaNews

Cachoeira da Martinha

O empresário João Batista, proprietário de um bar nas proximidades da cachoeira

 

O outro lado

Procurada, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso (Sema) emitiu nota afirmando que, por ser uma área particular o Estado, não atua com a limpeza e conservação do local.


Confira nota na íntegra:

"O espaço onde fica a Cachoeira da Martinha é uma propriedade particular, em que o proprietário tem a responsabilidade de licenciar a atividade econômica e instalar estrutura receptivas e turísticas no local.

A Sema ressalta que a referida área não está em área de conservação estadual e federal, desta forma, não há possibilidade de investimentos de recursos públicos em uma propriedade particular, a não ser que seja feita a desapropriação da área e que se torne área pública, que não é o caso, já que a prioridade da gestão atual é dar condições e apoio para iniciativas privadas para o crescimento do turismo no Estado.

Em relação às denúncias de degradação ambiental, a Sema fará uma vistoria na área para verificar a situação ambiental."

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