terça-feira, 27 de outubro de 202622:06
0 Entrar
Geral 23 de outubro de 2017

Ex-procurador do INSS é condenado a 8 anos de prisão por propina

Midia News O juiz federal Paulo Cézar Alves Sodré condenou o ex-procurador do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) em Mato Grosso, Álvaro Marçal Mendonça, a oito anos e oito meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A decisão foi proferida em julho, mas publicada no início deste mês. Conforme

Foto: Alair Ribeiro/MidiaNews

Midia News

O juiz federal Paulo Cézar Alves Sodré condenou o ex-procurador do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) em Mato Grosso, Álvaro Marçal Mendonça, a oito anos e oito meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A decisão foi proferida em julho, mas publicada no início deste mês. Conforme o magistrado, a pena deverá ser cumprida, inicialmente, em regime fechado.

O procurador foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), em relação a fatos ocorridos ainda no ano de 1999.

Conforme a denúncia, à época, a também acusada Maria Auxiliadora Leite fez o pagamento de R$ 5 mil a Álvaro, para que ele facilitasse a conclusão de procedimentos administrativos necessários para a autorização de restituição em pagamento de dívidas contraídas junto à Previdência Social pela empresa de propriedade de Euclides Teremoto.

O pagamento teria sido feito, de acordo com a denúncia, em duas parcelas de R$ 2,5 mil, e a segunda parcela foi paga a Álvaro por meio de dissimulação da origem do dinheiro.

O MPF aponta que um cheque foi emitido em favor de Marlice Cícero de Sá Devantel,  depositado e sacado na conta bancária da própria Marlice, sendo o valor repassado em espécie a Álvaro.

No decorrer do processo, a defesa de Maria Auxiliadora requereu a fixação de pena mínima a ela, em razão da confissão espontânea dos fatos.

Já os advogados do ex-procurador negaram a prática dos fatos criminosos e alegaram que não havia, nos autos, provas robustas demonstrando que o acusado tenha participado de qualquer ato ilícito, tampouco que ele tenha recebido os valores, seja em cheque ou espécie.

 

Materialidade comprovada

Segundo o juiz Paulo Sodré, contudo, ficaram demonstradas a autoria e a materialidade do crime de corrupção passiva.

O magistrado citou, por exemplo, que Maria Auxiliadora, em depoimento, confirmou ter repassado ao acusado a quantia de R$ 5 mil.

Sodré citou também o depoimento da testemunha Marilce Cícero de Sá Devantel, que comprova o fato de o acusado ter recebido parte do dinheiro em cheque.

“Ora, Marilce Devantel era colega de serviço do acusado e lhe cedeu a conta bancária na qual foi depositado o cheque emitido pela corré Maria Auxiliadora. Depositado e compensado o cheque, Marilce Devantel, que não sabia da origem ilícita do dinheiro, sacou e repassou o dinheiro ao acusado”, disse o juiz, em trecho da decisão.

O magistrado também ressaltou a confissão feita por Maria Auxiliadora Leite: “Ora, se Maria Auxiliadora afirma que efetivamente pagou a Álvaro a quantia de R$ 5.000,00 e há prova nos autos de que Álvaro recebeu tal quantia, comprovado está o crime”.

Há também nos autos, conforme o juiz, o depoimento de Wilson Donizete Dedonno – ex-marido de Mari Auxiliadora –, que confirmou ter pago, pessoalmente, parte do valor de propina ao acusado.

“Não obstante, Wilson Dedonno não tenha sido ouvido em juízo, o seu depoimento está em consonância com as demais provas produzidas em juízo, sendo, portanto, admissível a sua utilização consoante precedentes do STJ”, disse o juiz, referindo-se ao depoimento prestado por Dedonno à Promotoria de Justiça de Várzea Grande.

 

“Não bastasse o interrogatório da corré Maria Auxiliadora e o depoimento de Marilce Devantel há nos autos, às fls. 153, a cópia do cheque nº. BE-844166, emitido por Maria Auxiliadora Leite, em outubro de 1999, em favor de Marilce Cícero de Sá Devantel, no valor de R$ 2.500,00. Referidos documentos associados ao interrogatório da corré e à prova testemunhal, consolidam o acervo probatório apto à caracterização do crime de corrupção passiva por parte de Álvaro Marçal”, acrescentou o magistrado.

 

Lavagem de dinheiro

Também conforme o juiz Paulo Sodré, além de corrupção passiva, o ex-procurador teria também cometido o crime de lavagem de dinheiro, já que, ao receber o montante de R$ 2,5 mil, mediante cheque depositado na conta corrente de uma colega de trabalho (Marlice Davantel), Álvaro teria “ocultado” a origem e a localização de valores provenientes do crime de corrupção passiva por ele praticado.

“A materialidade e a autoria do delito estão comprovadas pelo teor do interrogatório da corré Maria Auxiliadora e da testemunha Marlice Davantel, tanto perante a autoridade policial, quanto em juízo, e mais ainda: pela cópia microfilmada do cheque que se encontra às fls. 153 e extrato da conta bancária de fls. 87”, cita a decisão.

“A cópia microfilmada comprova que o cheque foi nominal a Marlice Davantel; o extrato comprova que de fato o cheque foi compensado na conta de Maria Auxiliadora. O valor foi sacado depositado e compensado na conta corrente de Marlice Davantel. Após foi sacado e repassado em espécie para Álvaro Marçal”.

Conforme o juiz, Álvaro Marçal se utilizou da conta de terceira pessoa (Marlice Davantel) para receber parte do valor, oriundo do crime antecedente de corrupção.

“Como bem disse a testemunha Marlice Davantel, como ela sempre pegava pequenas quantias emprestadas com o acusado, não percebeu malícia na conduta dele, ao ele ter lhe solicitado para depositar na conta dela a quantia ilícita; pegar uma pequena parte como empréstimo e devolver a ele a parte substancial. Eis aí o dolo específico de cometer o crime de lavagem de dinheiro”, afirmou Sodré.

 

Condenação

Ao sentenciar o ex-procurador, o juiz afirmou que Álvaro Marçal “não agiu com dignidade, retidão e caráter integro, de que se espera de um procurador federal”.

“Nesse aspecto, reside a alta censurabilidade da conduta por ele praticada, pois agiu contra os interesses do próprio órgão onde trabalhava, e de onde recebia a sua remuneração, praticando atos que desbordavam do seu ofício”.

O juiz também observou que, para a prática do crime, o ex-procurador não se importou em envolver colega de trabalho.

“Consoante as regras insculpidas nos artigos 69 do Código Penal, promovo o cúmulo material das penas, tendo em vista a ocorrência de dois crimes distintos, mediante mais de uma ação ou omissão, haja vista que o réu praticou o crime de corrupção passiva e o crime de lavagem de dinheiro, tornando definitiva a pena do réu Álvaro Marçal Mendonça em 08 (oito) anos e 08 (oito) meses e 15 (quinze) dias de reclusão e multa de 241 (duzentos e quarenta e um) dias- multa”, disse.

Além de Álvaro, o juiz também condenou a três anos de reclusão a corré Maria Auxiliadora Leite.

No entanto, a medida foi convertida em penas restritivas de direitos, que deverão ser estabelecidas pelo Juízo da Execução Penal.

redaçao

Redação do Fala Meu Povo MT.

Ver matérias
Receba as notícias no celular:

Mais em Geral

Ver editoria