“Meu pai não é cachorro, merecia ao menos atendimento”, diz filha
“Meu pai não é cachorro, merecia ao menos atendimento”. A frase é da assistente administrativa Francinilda da Silva, de 24 anos, filha do verdureiro Francisco Lúcio Maia, de 48, que morreu atropelado pela médica Letícia Bortoloni, de 37, no sábado (14). Ele atravessava a Avenida Miguel Sutil, quando foi atingido pelo carro da médica, que

“Meu pai não é cachorro, merecia ao menos atendimento”. A frase é da assistente administrativa Francinilda da Silva, de 24 anos, filha do verdureiro Francisco Lúcio Maia, de 48, que morreu atropelado pela médica Letícia Bortoloni, de 37, no sábado (14).
Ele atravessava a Avenida Miguel Sutil, quando foi atingido pelo carro da médica, que deixou o local sem prestar socorro. Ela foi detida logo em seguida, após um amigo da vítima segui-la até um condomínio na Capital e chamar a Polícia Militar.
Conforme relatos da filha, a motorista compareceu a Central de Flagrantes da Capital, ainda na noite do sábado, visivelmente embriagada. "Ela não parava em pé", acusou a filha da vítima, que ainda criticou os argumentos dados pela médica às autoridades.
“Ela disse que achava que tinha atropelado um animal. Por isso não prestou socorro. Nós estamos indignados. Meu pai não é um cachorro como ela citou”, disse.
“Mesmo se fosse um animal, ela tinha obrigação de parar e atender. Mas, não. Ela fugiu, correndo”, disse a outra filha do verdureiro, Francisvânia Lucio, de 23 anos.
As declarações foram dadas ao MidiaNews na garagem da casa onde Francisco morava e estava sendo velado, no Jardim Beira Rio, na manhã desta segunda-feira (16).
A garagem estava preenchida com pouco mais de 15 amigos e familiares com rostos inchados e olhos marejados. O sepultamento estava marcado para acontecer às 16 horas desta segunda.
Toda a cerimônia está sendo custeada pelas filhas e familiares do feirante. “Em nenhum momento eles nos ligaram para prestar apoio ou oferecer ajuda. Me viram lá todo o tempo na audiência de custódia”, disse Francinilda.
Arrimo de família
Separado, o verdureiro morava com o irmão no Jardim Beira Rio há mais de 20 anos. Apesar de não morarem juntos, as filhas eram vizinhas de frente do pai.
Elas contam que ele as ajudava financeiramente com o dinheiro que ganhava na venda de frutas e verduras nas ruas da cidade.
“Ele me ajudava muito. O meu curso de técnica de enfermagem foi ele quem pagou. E ajudava a pagar a mensalidade da faculdade da minha irmã”, relatou Francisvânia, emocionada.
“Ele acordava todos os dias às 3h da manhã para trabalhar. Era um homem dedicado, trabalhador. Pode perguntar para qualquer pessoa do bairro. Aqui ninguém tem o que falar dele”, afirma a filha.
O caso
Reprodução
Carro da médica após o atropelamento do vendedor
Francisco morreu enquanto tentava atravessar a Avenida Miguel Sutil com seu carrinho com verduras, por volta das 20h.
A médica conduzia um Jeep modelo Compass branco e estava na companhia de seu esposo, também médico, quando colidiu com o feirante e fugiu.
Ambos teriam apresentado sinais de embriaguez, segundo a Polícia.
Uma pessoa que presenciou o momento do acidente foi atrás do casal e viu o momento em que o carro entrou em um condomínio no Jardim Itália.
A Polícia foi acionada e a médica autuada por homicídio culposo no trânsito e omissão de socorro.
Na audiência de custódia, no domingo (15), a juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira, da 9ª Vara Criminal, converteu a prisão em flagrante em preventiva.
Desta forma, a médica está detida em uma cela especial na Penitenciária Ana Maria do Couto May.
A defesa de Leticia aguarda uma nova audiência, para converter a prisão em domiciliar. O argumento é de que a mulher tem um filho de um ano de idade.
Midia News.
Redação do Fala Meu Povo MT.
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