A Ministra do governo Lula afirma que a agricultura em Mato Grosso só foi viável devido aos esforços de conservação realizados pelos povos indígenas
Guajajara defende demarcação de terras indígenas e destaca papel dos povos originários na preservação ambiental durante encontro no Xingu Durante visita ao Território Indígena do Xingu, em Mato Grosso, na última sexta-feira (4), a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, afirmou que a existência de duas safras anuais no estado só é possível graças à

Guajajara defende demarcação de terras indígenas e destaca papel dos povos originários na preservação ambiental durante encontro no Xingu
Durante visita ao Território Indígena do Xingu, em Mato Grosso, na última sexta-feira (4), a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, afirmou que a existência de duas safras anuais no estado só é possível graças à preservação ambiental promovida pelos povos indígenas da região. A declaração foi feita durante encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lideranças indígenas e autoridades políticas, na aldeia Piaraçu.
Guajajara direcionou sua fala ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), que também participou do evento. “A proteção ao Parque do Xingu, que é feita pelos indígenas, garante as duas safras em Mato Grosso”, afirmou a ministra, ao defender a importância da demarcação de terras indígenas como estratégia de proteção ambiental.
A reunião simbólica contou com a presença do cacique Raoni Metuktire, principal liderança do povo Kayapó e uma das maiores referências do movimento indígena no país. A escolha da aldeia Piaraçu como local do evento reforçou o caráter político do encontro, realizado em meio às crescentes tensões entre o governo federal e setores do agronegócio, que pressionam contra novos processos de demarcação.
Guajajara também destacou o posicionamento do governo federal contra o marco temporal das terras indígenas, tese que limita o reconhecimento de territórios aos que estivessem ocupados por povos originários em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. Embora já tenha sido considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o tema segue gerando embates no Congresso Nacional.
“O presidente enfrenta todos os dias pressão para não demarcar terras indígenas”, alertou a ministra. Segundo ela, o Ministério dos Povos Indígenas tem atuado em articulação com a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para enfrentar projetos legislativos e ações judiciais que visam restringir os direitos dos povos originários.
A visita do presidente Lula ao Xingu ocorre em meio ao impasse sobre a Terra Indígena Kapot Nhinore, cuja demarcação é contestada por produtores rurais e autoridades locais. Com 362 mil hectares, a área é reivindicada há décadas pelos povos Mebêngôkre e Yudjá Juruna, e é também o local de nascimento do cacique Raoni.
Da Redação com informações do Olhar Direto
Redação do Fala Meu Povo MT.
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