Mato Grosso já resgatou mais de seis mil trabalhadores em condições análogas à escravidão em 29 anos

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Foto: reprodução
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Mato Grosso ocupa a terceira colocação no ranking nacional de resgates de trabalhadores em situação análoga à escravidão, conforme levantamento do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, mantido pela plataforma SmartLab. De 1995 a 2024, foram contabilizados 6.153 resgates no estado.

O número coloca Mato Grosso atrás apenas do Pará, líder nacional com 13.479 trabalhadores resgatados, e de Minas Gerais, com 7.598. As fiscalizações apontam que os resgates ocorrem, em geral, em regiões de forte atividade econômica, mas que convivem com a precarização das relações de trabalho, baixa remuneração, ausência de qualificação e contextos marcados por pobreza, violência e desigualdade social.

Desde 2002, quando o pagamento do seguro-desemprego para vítimas resgatadas passou a ser documentado, 926 pessoas naturais de Mato Grosso foram resgatadas em condições degradantes em diferentes partes do país. Além disso, outras 1.912 vítimas declararam residir no estado no momento da fiscalização.

O mapeamento revela ainda que os locais de origem ou residência das vítimas nem sempre coincidem com os locais onde elas são efetivamente resgatadas. Segundo o estudo, essas regiões de residência possuem características híbridas: embora apresentem desigualdades sociais, de renda e de identidade, muitas vezes estão próximas a polos econômicos ou exibem algum dinamismo que, paradoxalmente, as torna focos de aliciamento de mão de obra vulnerável.

Para a procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT), Juliana de Oliveira Gois, reduzir alguém à condição análoga à escravidão representa grave violação ao princípio da dignidade humana, com descumprimento de direitos fundamentais como acesso à saúde, higiene, moradia adequada, alimentação e segurança.

“A ausência de documentação aumenta a vulnerabilidade desse trabalhador, tornando-o mais suscetível a formas degradantes de trabalho”, alertou a procuradora.

O levantamento reforça a necessidade de ações integradas de combate ao trabalho escravo contemporâneo, com foco na fiscalização, punição dos responsáveis e políticas públicas voltadas à prevenção e proteção das vítimas.

FONTE – RESUMO