Mendonça envia ao plenário caso sobre mensagens entre Moraes e Vorcaro

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Igo Estrela/Metrópoles
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou neste domingo (6/9) para julgamento pelo plenário da Corte o processo relacionado ao relatório da Polícia Federal que menciona conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Com a liberação, o processo está apto a ser analisado pelos demais ministros do Supremo. A escolha da data para o julgamento, porém, ficará sob responsabilidade do presidente da Corte, Edson Fachin.

O material teve o sigilo retirado por Mendonça e reúne mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Entre os registros está uma conversa de 15 de novembro, dois dias antes da prisão do banqueiro, na qual Vorcaro menciona um magistrado da Justiça Federal e pergunta a Moraes se já deveria deixar o local onde estava.

Dados obtidos pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro apontaram que ele teria recebido informações sobre sua primeira ordem de prisão preventiva com antecedência significativa. A decisão foi tomada pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal em 17 de novembro de 2025.

As investigações também apontaram a existência de uma estrutura clandestina de monitoramento e influência, alimentada por vazamentos de informações sigilosas provenientes do Banco Central e do Judiciário.

Em manifestação apresentada posteriormente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a anulação da investigação determinada por Mendonça sobre a suposta rede de influência ligada a Vorcaro. A Procuradoria argumentou que grande parte do relatório elaborado pela PF acabou concentrada em informações envolvendo Alexandre de Moraes.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustentou que ministros do Supremo somente podem ser investigados mediante autorização do plenário da Corte. Segundo ele, Mendonça já tinha acesso aos elementos nos quais o nome de Moraes aparecia quando determinou o aprofundamento das apurações.

Gonet afirmou ainda que o relator não poderia determinar diretamente uma investigação nem utilizar a Polícia Federal como extensão de sua atuação. Na avaliação da PGR, a iniciativa ultrapassou os limites de competência do magistrado na fase pré-processual, o que comprometeria tanto a ordem de investigação quanto as provas obtidas a partir dela.

Ao final do parecer, o procurador-geral defendeu que, mesmo diante de eventuais indícios de crime envolvendo Moraes, Mendonça não poderia aprofundar a apuração contra outro integrante do STF. Para Gonet, o material deveria ser encaminhado ao presidente da Corte, cabendo ao plenário decidir sobre a autorização de uma eventual investigação.