TSE determina retirada de vídeo manipulado divulgado por Flávio Bolsonaro e aliados sobre ato pró-Lula em São Paulo

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Ricardo Stuckert
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de um vídeo divulgado pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, que associa imagens de uma jovem a um suposto episódio de consumo de drogas durante uma manifestação em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada no domingo (11), na Avenida Paulista, em São Paulo.

A decisão foi proferida pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, que analisou a utilização das imagens no contexto da disputa eleitoral. O entendimento apresentado na decisão é de que o conteúdo pode transmitir uma informação enganosa ao relacionar cenas registradas em outro contexto ao ato político realizado na capital paulista.

O vídeo foi publicado em um canal ligado à campanha de Flávio Bolsonaro. Ao avaliar o caso, o ministro ressaltou que a liberdade de expressão e a crítica política devem observar os limites legais, especialmente quando há questionamentos sobre a veracidade das informações divulgadas durante o período eleitoral.

Representação foi apresentada ao TSE

A coligação Brasil Pronto Pra Mais, formada por PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSol e Rede, acionou a Justiça Eleitoral contra Flávio Bolsonaro e outros nomes apontados na representação por compartilharem conteúdos relacionados ao episódio.

Entre os citados estão os deputados federais Rony Gabriel (Podemos-RS) e Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado estadual Lucas Pavanato (PL-SP) e o empresário Pablo Marçal (PRTB-SP).

A coligação questiona a divulgação das publicações e aponta possíveis irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral e à disseminação de informações consideradas falsas. Segundo os argumentos apresentados na ação, os conteúdos poderiam prejudicar a imagem de Lula e favorecer eleitoralmente Flávio Bolsonaro.

A representação também questiona publicações que relacionam participantes da manifestação a práticas como consumo de drogas ilícitas, vandalismo, depredação do patrimônio público e defesa do terrorismo.

Origem das imagens é um dos pontos analisados

De acordo com as informações apresentadas no processo, parte das imagens utilizadas no vídeo teria sido gravada no Chile, no sábado (10), um dia antes do ato realizado na Avenida Paulista. O material original teria sido publicado no perfil @multapor100, na rede social X.

A discussão judicial envolve a forma como essas cenas foram utilizadas e a associação estabelecida entre as imagens e a manifestação em apoio ao presidente. A análise considera se a edição e o contexto da publicação podem levar o público a interpretar as cenas como registros do ato realizado em São Paulo.

Pedido também envolve plataformas digitais

Além da retirada do vídeo, a representação apresentada pela coligação solicita providências relacionadas a publicações no Instagram, no X, no Threads e no Facebook. O pedido inclui medidas para identificar responsáveis por outros perfis e endereços eletrônicos que tenham divulgado materiais questionados no processo.

O caso ocorre durante a campanha eleitoral de 2026 e envolve a aplicação das regras da Justiça Eleitoral à circulação de conteúdos políticos nas redes sociais. A decisão trata das publicações questionadas no processo e não representa, por si só, uma conclusão geral sobre todos os conteúdos divulgados pelos envolvidos.