O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) realizam neste sábado (24/10) os últimos atos públicos de suas campanhas presidenciais antes do segundo turno, marcado para domingo (25/10). A programação inclui compromissos no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais, estados considerados estratégicos para a disputa eleitoral.
Lula iniciou o dia com uma caminhada em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, às 10h. Em seguida, o presidente segue para São Paulo, onde está previsto o último ato de campanha, na Avenida Paulista, às 16h.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, participa do evento conhecido como “Bloco do 22”, em Belo Horizonte, às 9h. O encerramento de sua campanha será realizado na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, às 14h.
A concentração de atividades no Sudeste ocorre em uma região de grande peso eleitoral. São Paulo possui aproximadamente 34,1 milhões de eleitores, enquanto o Rio de Janeiro contabiliza 12,8 milhões. Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, reúne outros 16,4 milhões de votantes. Somados, os três estados concentram uma parcela expressiva do eleitorado nacional.
Os compromissos finais também refletem a disputa por votos em territórios nos quais Flávio Bolsonaro obteve mais votos do que Lula no primeiro turno. O senador terminou a primeira etapa da eleição à frente do presidente em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e o petista busca diminuir essa diferença antes da votação decisiva.
Rio de Janeiro reúne bases políticas do bolsonarismo
O Rio de Janeiro tem importância particular para Flávio Bolsonaro, que possui domicílio eleitoral no estado e ocupa uma cadeira no Senado desde 2019. Antes de chegar ao Congresso Nacional, ele exerceu quatro mandatos consecutivos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O estado também está ligado ao início da trajetória política de Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente foi eleito vereador na capital fluminense em 1988 e, dois anos depois, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados.
A trajetória da família Bolsonaro no Rio também foi marcada por questionamentos relacionados a possíveis vínculos com pessoas apontadas como integrantes de milícias. Durante seu período como deputado estadual, Flávio homenageou o ex-policial militar Adriano da Nóbrega, posteriormente apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como líder de uma organização miliciana.
A mãe e a então esposa de Adriano também trabalharam no gabinete do senador. Flávio Bolsonaro nega envolvimento com milícias e afirma que as homenagens prestadas a policiais militares não significavam ligação com organizações criminosas.
São Paulo marca trajetória sindical de Lula
Para Lula, São Paulo representa um dos principais pontos de sua trajetória política. Foi no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema que o presidente consolidou sua atuação sindical, assumindo a presidência da entidade em 1975.
No final da década de 1970, Lula liderou greves de trabalhadores na região do ABC paulista, mobilizações que contribuíram para ampliar sua projeção nacional e fortalecer sua presença na política brasileira.
São Bernardo do Campo também foi escolhida para a abertura da campanha presidencial do petista, em 16 de agosto, no Estádio 1º de Maio. Neste domingo, Lula votará no município e depois seguirá para a capital paulista, onde pretende acompanhar a apuração dos resultados.
Candidatos cumpriram agendas frequentes nos dois estados
Um levantamento baseado nas agendas divulgadas pelas campanhas e em registros públicos identificou ao menos nove datas com compromissos de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro e outras nove em São Paulo até quinta-feira (22/10), considerando o período iniciado em 16 de agosto.
No Rio, as atividades do senador incluíram o lançamento da campanha em Copacabana, visitas ao interior do estado e encontros com aliados políticos. Em São Paulo, a programação reuniu carreatas, reuniões, eventos com empresários e manifestações na Avenida Paulista.
Lula também esteve em São Paulo em pelo menos nove datas, com participação em atos eleitorais, reuniões políticas e compromissos institucionais. No Rio de Janeiro, foram identificadas ao menos quatro datas com atividades, incluindo eventos em Bangu, São Gonçalo e no centro da capital, além de uma entrevista televisiva.
O levantamento contabiliza as datas em que os candidatos estiveram nos estados, sem considerar a quantidade de eventos realizados durante cada viagem. No caso de Lula, não houve separação entre compromissos presidenciais e eleitorais, já que ele conciliou as duas funções durante a campanha.
Também foram incluídas entrevistas presenciais relacionadas à disputa eleitoral. Atos realizados exclusivamente por aliados, sem a participação dos candidatos à Presidência, ficaram de fora da contagem. As agendas previstas para sexta-feira (23/10) e sábado (24/10) não foram consideradas.
Propaganda eleitoral nas ruas termina antes da votação
O sábado representa a última oportunidade para Lula e Flávio Bolsonaro realizarem caminhadas, carreatas e outros atos públicos de campanha antes do segundo turno. De acordo com o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a distribuição de material gráfico e a realização dessas atividades estão autorizadas até as 22h deste sábado.
No domingo, Lula votará em São Bernardo do Campo e acompanhará a apuração em São Paulo. Flávio Bolsonaro exercerá o voto na capital fluminense e depois seguirá para Brasília, onde pretende acompanhar a contagem dos votos ao lado de familiares e aliados.














