Mais de um ano após fugir da penitenciária Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, a líder do Comando Vermelho, Angélica Saraiva de Sá, retornou à detenção da mesma penitenciária na tarde desta terça-feira (20). Conhecida no mundo do crime como Angéliquinha, a faccionada escapou da penitenciária em agosto de 2025 e passou mais de um ano na Bolívia, exercendo seu cargo de liderança na facção. A investigação sobre a fuga de Angélica segue sob sigilo, mas já foi confirmado que ela não agiu sozinha para escapar.
Polo do tráfico e de cirurgias plásticas, cidade boliviana em que Angéliquinha morava é estratégica para o CV
A informação foi dada pelo delegado Vitor Hugo Caetano de Freitas, titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Angélica, considerada de altíssima periculosidade, permanecerá em isolamento por seis meses, com os direitos de presidiária suprimidos. A condição pode ser prorrogada. A faccionada acumula pena de 260 anos.
“Sobre a fuga dela, houve sim interferência direta, ela se aproveitou da obra que estava acontecendo lá é sigilosa essa investigação por enquanto da fuga, de envolvimento de outras pessoas, com certeza com a prisão dela e com os materiais que vamos analisar haverá novas informações, então a gente segue aí, ela não agiu sozinha, então a gente vai manter o sigilo, mas que mais em breve vão ter novidades importantes, sobretudo depois da prisão”, declarou o delegado.
Conforme já noticiado pelo Olhar Direto, Angéliquinha usou “benefícios e artimanhas” para escapar da penitenciária em agosto de 2025, época em que ela já ocupava um cargo de destaque na facção.
“Ela fugiu do presídio utilizando-se de, não vou dizer benefícios, mas de facilidades quando estava sendo construída uma obra na casa de costura ali no Presídio Ana Couto. E aí, com algumas artimanhas que ela utilizou, cerrou as grades e conseguiu fugir pelo portão lateral, o portão que era construído especificamente para essa casa de costura”, declarou o delegado Vitor Hugo em entrevista concedida à imprensa dias após a recaptura de Angélica, presa na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra.
Prisão na Bolívia
Angéliquinha foi presa em Santa Cruz de la Sierra, no dia 22 de setembro deste ano. A localização dela no país foi possível graças ao trabalho de investigação e à troca de informações entre as forças de segurança.
A ação contou com a atuação da Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco) e da Gerência Estadual de Polinter (Gepol), em conjunto com a Polícia Boliviana. Na cidade, ela levava uma vida de luxo, com casa de alto padrão e veículos de primeira linha.
Após a prisão, Angélica foi transferida para Mato Grosso do Sul, onde permaneceu quase um mês até ser recambiada a Mato Grosso.
Angélica veio de avião e, na tarde de terça-feira (20), foi encaminhada à GCCO sob forte vigilância armada.














