A mobilização promovida por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro neste domingo (1º/3), na Avenida Paulista, em São Paulo, evidenciou a retomada do discurso mais duro de setores do bolsonarismo contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e serviu de vitrine para a estratégia eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato ao Palácio do Planalto.
Durante o ato batizado de “Acordo Brasil”, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos articuladores da manifestação, e o pastor Silas Malafaia adotaram tom crítico em relação ao STF. Em suas falas, direcionaram ataques ao ministro Alexandre de Moraes, mencionando suspeitas envolvendo o Banco Master e afirmando que o magistrado poderia enfrentar consequências judiciais.
Já Flávio Bolsonaro optou por uma abordagem distinta. Sem mencionar ministros nominalmente, concentrou críticas no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador destacou alianças consideradas estratégicas para a disputa presidencial, como os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais — citado como possível vice —; e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, que também lançou pré-candidatura. Em seu discurso, buscou ainda dialogar com o eleitorado feminino e com beneficiários do Bolsa Família, programa associado ao governo petista.
No trio elétrico, Flávio relembrou escândalos de corrupção registrados em gestões do PT, como o mensalão e o petrolão. Também citou investigações envolvendo o filho mais velho de Lula no caso conhecido como “Farra do INSS”, revelado pelo portal Metrópoles e apurado pela Polícia Federal. O senador defendeu o legado da administração de Jair Bolsonaro e rebateu críticas pessoais, afirmando ter aprendido valores de honestidade em casa.
O ato foi o primeiro desde que Jair Bolsonaro anunciou o filho como pré-candidato à Presidência e após a prisão do ex-presidente, que está detido em uma unidade da Polícia Militar no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
As manifestações ocorreram em ao menos 17 cidades, incluindo 13 capitais, mas a maior concentração foi registrada na capital paulista. Levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Common, estimou a presença de 20,4 mil pessoas na Avenida Paulista — número inferior à média de atos da direita realizados no local no ano anterior. Em 2025, os protestos desse campo político variaram entre 12 mil e 45 mil participantes, com média superior a 30 mil por evento.
Nesta edição, houve divergências entre organizadores sobre o foco principal da mobilização. Parte defendia ataques diretos ao STF, enquanto outra ala preferiu priorizar pautas de caráter eleitoral. O resultado foi um ato com múltiplos temas e clara ênfase na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
Impulsionado por resultados recentes de pesquisas — em uma sondagem do instituto Atlas, chegou a aparecer numericamente à frente de Lula —, o senador concentrou sua fala no enfrentamento ao atual governo, na defesa do mandato do pai e na tentativa de consolidar apoio entre segmentos como evangélicos e mulheres. Ao mencionar o Supremo, afirmou reconhecer sua importância institucional, mas criticou decisões que, segundo ele, teriam atingido Bolsonaro sob o argumento de defesa da democracia.
Ao longo do discurso, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva foram os nomes mais citados, reforçando o tom polarizado da manifestação.



















