O uso intenso de dispositivos eletrônicos por crianças e adolescentes da Geração Z — nascidos entre 1995 e 2009 — está gerando uma epidemia silenciosa de problemas visuais, com risco crescente de cegueira precoce. O alerta é do oftalmologista Adriano Rodovalho, da Unimed Cuiabá, que aponta o aumento acelerado dos casos de miopia como um dos principais reflexos do estilo de vida digital e da baixa exposição à luz natural.
“Durante a pandemia, houve uma explosão de miopia, e esse cenário ainda persiste. As crianças estão forçando os olhos além do ideal. Isso alonga o globo ocular e altera a retina, com consequências sérias e, muitas vezes, irreversíveis”, explicou o especialista.
Além de dificultar a visão à distância, a miopia em grau elevado pode desencadear doenças como degeneração macular, descolamento de retina, catarata e glaucoma. Segundo estudos recentes, a miopia alta aumenta em até 41% o risco de desenvolver degeneração macular — uma das principais causas de cegueira em idosos.
De acordo com Rodovalho, o problema não se limita à predisposição genética. A falta de exposição à luz solar também compromete o desenvolvimento da visão. “A retina precisa da luz natural para produzir dopamina, que regula o crescimento do olho. Sem essa estimulação, o risco de miopia se agrava”, destacou.
Prevenção começa em casa
A Unimed Cuiabá orienta que os pais estabeleçam limites claros para o uso de telas: no máximo 30 minutos por sessão para crianças em idade escolar, com pausas frequentes para descanso visual. A recomendação inclui ainda atividades ao ar livre, esportes, brincadeiras e uso de óculos com proteção UV durante a exposição solar.
Sinais de alerta
Dores de cabeça constantes, baixo desempenho escolar e o hábito de ver tudo de muito perto são alguns dos primeiros sinais. Nestes casos, a orientação é procurar um oftalmologista o quanto antes.
Com ações educativas, a Unimed busca conter o avanço desse problema que já preocupa autoridades de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o número de brasileiros com miopia alta deve quase dobrar até 2040, passando de 6,6 milhões para 12,2 milhões.
FONTE – RESUMO





























