Vídeo mostra André Esteves e Pastore em encontro com Toffoli em resort. Assista

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Reprodução Metrópoles
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Imagens obtidas pelo Metrópoles revelam detalhes de um dos encontros realizados no resort Tayayá. Em uma das cenas, o ministro Dias Toffoli aparece vestindo camiseta azul-escura, bermuda cáqui e chinelos, enquanto aguarda convidados em uma área reservada dos jardins do empreendimento. O resort está localizado às margens da represa de Xavantes, na região de divisa entre os estados do Paraná e São Paulo.

Em frente ao heliponto onde Toffoli se encontrava, pousa um helicóptero Eurocopter AS365 Dauphin, modelo fabricado pela Airbus, com prefixo PT-PCT — referência ao banco de investimentos BTG Pactual. Da aeronave desembarcam dois empresários. O primeiro é Luiz Pastore, proprietário do grupo metalúrgico Ibrame. Pouco depois, desce o banqueiro André Esteves, fundador do BTG Pactual. Avaliado em cerca de US$ 12 milhões, o helicóptero pertencia a Esteves.

Ao se aproximar de Pastore, Toffoli o cumprimenta com um abraço e um beijo no rosto. Em seguida, o ministro recepciona André Esteves com um aperto de mão e um abraço. Na sequência, ambos aparecem conversando em grupo, com copos de bebida nas mãos.

O encontro ocorreu em 25 de janeiro de 2023 e foi registrado em vídeo. O episódio ilustra a dinâmica do Tayayá, local frequentemente utilizado por Toffoli para receber autoridades, artistas e empresários de destaque no cenário nacional.

Considerado um dos banqueiros mais influentes do país, André Esteves mantém proximidade com integrantes do Supremo Tribunal Federal, do Poder Executivo e do Tribunal de Contas da União. Seus negócios podem ser impactados por decisões do STF, embora, naquele período, não houvesse processos de sua autoria ou do BTG sob relatoria de Toffoli.

Luiz Pastore também possui trânsito entre lideranças políticas e empresariais. Seus empreendimentos abrangem os setores de metalurgia, importação, indústria e gestão imobiliária. Foi em uma aeronave de sua propriedade que Toffoli viajou, acompanhado do advogado Augusto de Arruda Botelho, para assistir à final da Copa Libertadores, no Peru. A viagem, realizada em novembro do ano passado, levantou questionamentos sobre a imparcialidade do ministro em investigações relacionadas ao Banco Master, uma vez que Botelho atua na defesa de Antonio Bull, ex-diretor da instituição.

Em meio a críticas sobre a conduta de magistrados do Supremo, o presidente da Corte, Edson Fachin, sugeriu a criação de um código de conduta para os ministros. A proposta gerou desconforto interno, inclusive entre integrantes como Alexandre de Moraes. O escritório de advocacia da esposa e dos filhos de Moraes foi contratado pelo Banco Master por R$ 129 milhões.

A presença de André Esteves e Luiz Pastore no Tayayá reforçou especulações de que Toffoli teria uma relação mais profunda com o resort do que a de simples hóspede. Repórteres do Metrópoles que se hospedaram no local por três dias relataram que funcionários tratam o ministro como se fosse proprietário do empreendimento.

Segundo a apuração, Toffoli dispõe de uma residência de alto padrão em área restrita do resort, além de um barco. Há relatos de que o ministro costuma reservar todo o hotel para a realização de eventos privados com convidados de destaque. No local, também funcionaria um cassino com máquinas eletrônicas e mesas de blackjack, jogos proibidos pela legislação brasileira.

Apesar disso, os registros oficiais de compra e venda indicam como proprietários do resort dois irmãos e um primo de Toffoli. A empresa responsável pelo empreendimento está registrada em uma casa simples em Marília (SP), cidade natal do ministro. Procurada, a cunhada de Toffoli negou que seu marido tenha sido dono de um negócio avaliado em cerca de R$ 30 milhões.

Em abril de 2025, o Tayayá foi vendido ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que mantém sociedade com dirigentes da J&F e presta serviços aos empresários Wesley e Joesley Batista. Dois anos antes da venda, Toffoli havia determinado a suspensão do pagamento de uma multa de R$ 10,3 bilhões aplicada ao grupo.

Após a negociação, o ministro permaneceu no resort por 58 dias. No fim do ano, promoveu uma festa para cerca de 140 convidados, utilizando toda a estrutura do local. Dados do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região indicam que, entre 2022 e janeiro deste ano, Toffoli esteve hospedado no Tayayá por pelo menos 168 dias, distribuídos em 19 visitas — o equivalente a uma estadia a cada sete dias, em média.