A Polícia Federal apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um organograma que, segundo as investigações, retrata a estrutura de uma organização criminosa associada ao empresário Daniel Vorcaro. O documento divide os investigados em diferentes núcleos de atuação, responsáveis por atividades que incluem movimentação financeira, obtenção de informações sigilosas, intimidações e ataques virtuais.
De acordo com a representação encaminhada pela corporação, Vorcaro aparece no topo da estrutura, sendo apontado como responsável pelas determinações direcionadas aos demais integrantes. Entre os nomes identificados como operadores financeiros estão Fabiano Campos Zettel, cunhado do empresário, além de Ana Cláudia Queiroz de Paiva e Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel. As apurações indicam que o grupo atuava na viabilização de pagamentos destinados à manutenção das atividades investigadas.
Na área operacional, a Polícia Federal destaca a atuação de Luis Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Segundo os investigadores, ele exercia a função de intermediador das ordens e coordenava os diferentes núcleos da organização. As investigações também apontam sua participação em ações voltadas à intimidação de ex-funcionários do Banco Master e à coleta de informações sobre pessoas consideradas desafetas de Vorcaro.
O organograma elaborado pela PF identifica dois grupos principais: “A Turma” e “Os Meninos”. Conforme o relatório, o primeiro seria responsável por ações presenciais, monitoramento de investigações, obtenção de dados sigilosos e práticas de intimidação. Já o segundo atuaria na área tecnológica, incluindo invasões de dispositivos eletrônicos e monitoramento digital.
As investigações também atribuem a Henrique Moura Vorcaro uma participação além da condição de beneficiário das atividades. Segundo a PF, ele teria exercido função de operador financeiro, responsável por viabilizar pagamentos direcionados aos integrantes de “A Turma”. Mensagens analisadas pelos investigadores indicariam que ele continuou solicitando serviços e negociando repasses mesmo após etapas anteriores da Operação Compliance Zero.
Entre os integrantes de “A Turma”, a PF aponta o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva como líder operacional. Durante as apurações, ele teria participado de encontros reservados com outros investigados. A corporação afirma que sua experiência profissional e sua rede de contatos eram utilizadas para coordenar ações de coação e obter informações restritas.
Também são citados no mesmo núcleo o policial federal aposentado Sebastião Monteiro Júnior e o policial federal da ativa Anderson Wander da Silva Lima, apontados como responsáveis pela obtenção de informações sigilosas em benefício do grupo investigado.
Outro nome mencionado é o empresário Manoel Mendes Rodrigues, descrito pela PF como ligado ao jogo do bicho no Rio de Janeiro. Segundo o relatório, ele comandaria uma estrutura vinculada ao grupo no estado fluminense, formada por integrantes ainda não identificados.

Os investigadores afirmam que esse braço da organização seria utilizado em ações presenciais e consideram a possibilidade de envolvimento de policiais, milicianos e operadores ligados ao jogo do bicho.
No núcleo denominado “Os Meninos”, apontado como responsável pelas atividades digitais, a liderança é atribuída a David Henrique Alves. Também integram o grupo, segundo a PF, Victor Lima Sedlmaier, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Katherine Venancio Teles.
De acordo com as investigações, os integrantes desse núcleo seriam responsáveis pelo monitoramento de alvos, controle digital e invasão de dispositivos eletrônicos. A PF afirma que as ações incluíam o uso de especialistas em ataques cibernéticos e ferramentas como robôs e técnicas de negação de serviço distribuída (DDoS), empregadas para interferir em páginas que divulgavam conteúdos críticos a Vorcaro.
Embora não figurem no organograma principal, a delegada da Polícia Federal Valéria Vieira Pereira da Silva e o agente federal aposentado Francisco José Pereira da Silva também são citados na representação. Segundo a corporação, há indícios de que informações obtidas por meio de consultas em sistemas internos tenham sido repassadas ao grupo por intermédio do casal.
A PF sustenta que Valéria acessou, sem justificativa funcional, um inquérito conduzido pela Superintendência Regional da corporação em São Paulo, apesar de estar lotada em Minas Gerais desde 2006 e não possuir atribuição relacionada ao procedimento investigado.
Os investigadores afirmam não ter identificado comunicação direta entre a delegada e Marilson Roseno da Silva. No entanto, apontam que Francisco José Pereira da Silva teria atuado como intermediador das informações, reduzindo registros diretos da participação da esposa.
Na avaliação da Polícia Federal, a estrutura operava de forma integrada. Enquanto Daniel Vorcaro e Henrique Moura Vorcaro seriam responsáveis pelas demandas e pelo financiamento das ações, “Sicário” faria a ligação entre os contratantes e os executores. Nesse contexto, “A Turma” executaria as ações presenciais e a obtenção de informações, enquanto “Os Meninos” concentrariam as atividades tecnológicas da organização.




















