Os candidatos que disputarão cargos políticos nas eleições de 2026 já entregaram à Justiça Eleitoral as declarações de bens, documento que reúne o patrimônio informado por cada concorrente. Alguns registros, porém, apresentam valores muito acima da realidade, segundo os próprios candidatos e partidos, em casos atribuídos a erros de digitação.
Entre os exemplos estão um Toyota Etios registrado por R$ 35 milhões, uma Fiat Strada avaliada em R$ 15 milhões e uma casa no Acre declarada por R$ 1,1 bilhão.
Pablo Marçal
Candidato à Presidência pelo PRTB, Pablo Marçal declarou inicialmente mais de R$ 7 bilhões em patrimônio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o maior valor entre os candidatos.
Posteriormente, Marçal informou que houve um erro de digitação e solicitou a alteração da declaração. O patrimônio passou a ser registrado em aproximadamente R$ 149,9 milhões no TSE.
Lúcia Viana
Maria Lucia Soares Viana, candidata a vice-governadora do Tocantins pelo PSol, apresentou inicialmente patrimônio de R$ 2,07 bilhões, o segundo maior valor declarado entre os concorrentes.
Na relação de bens, entretanto, aparecem valores considerados incorretos. Um Toyota Etios foi registrado por R$ 35 milhões, enquanto uma Fiat Strada consta com valor de R$ 15 milhões.
A assessoria do PSol informou que os números foram resultado de um erro de digitação, que teria convertido valores em milhares para milhões. Com a correção, o patrimônio de Lúcia Viana deverá ficar próximo de R$ 2 milhões.
Georgia Micheletti
A médica Georgia Micheletti, candidata a deputada estadual pelo Acre pelo PSDB, também aparece inicialmente entre os concorrentes com patrimônio bilionário. Ela declarou mais de R$ 1,2 bilhão em bens.
Entre os itens está uma casa localizada em um condomínio residencial no Acre, registrada no sistema eleitoral pelo valor de R$ 1,1 bilhão.
O PSDB informou que houve erro no preenchimento. Segundo o partido, o imóvel vale, na realidade, R$ 1,1 milhão, e a correção já foi solicitada à Justiça Eleitoral. Até o momento, porém, o sistema do TSE ainda apresenta o valor original.
Outros casos de valores incorretos
Os registros com valores considerados equivocados não se restringem aos três candidatos que aparecem como bilionários.
André Silva (MDB), candidato a deputado estadual em Alagoas, declarou patrimônio de R$ 548 milhões, formado integralmente por participações em empresas. O diretório estadual do MDB informou que já pediu a correção dos valores.
Em Minas Gerais, Alvamiro Alves Branco (PDT) declarou uma casa localizada em Ibirité pelo valor de R$ 400 milhões. Segundo o diretório mineiro do partido, o imóvel está avaliado, na verdade, em R$ 400 mil.
O que ocorre em caso de erro
De acordo com as regras da Justiça Eleitoral, os candidatos precisam apresentar uma relação atualizada de seus bens no momento em que solicitam o registro da candidatura.
Quando são identificadas falhas ou omissões na declaração, o candidato ou o partido pode ser intimado para fazer a correção. Nesses casos, o prazo previsto é de três dias.
A advogada especialista em direito eleitoral Joacinara Jansen afirmou que eventuais erros ou omissões no documento, isoladamente, não resultam automaticamente em cassação da candidatura nem em responsabilização criminal.








