Após conversa com Lula, Trump orienta equipe a buscar acordo sobre tarifas

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Ricardo Stuckert/PR
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Representantes dos governos do Brasil e dos Estados Unidos retomaram, nesta segunda-feira (31/8), as negociações comerciais após uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, Trump orientou sua equipe a trabalhar pela construção de um acordo sobre as tarifas aplicadas a produtos brasileiros.

O encontro marcou a primeira rodada técnica formal depois do telefonema entre os dois presidentes, que abriu novamente o canal de diálogo sobre as medidas comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Após a reunião virtual com representantes norte-americanos, Rosa afirmou que o governo brasileiro pretende chegar a um entendimento o mais abrangente possível para retirar as tarifas que considera indevidas.

“A reunião só foi possível com a conversa direta do presidente Lula com o presidente Trump. Nós deixamos que o propósito do Brasil é que trabalhemos para que se tenha um acordo, o mais abrangente possível, que afaste essas tarifas indevidas. E, por outro lado, disseram que a recomendação do presidente Trump é para que trabalhemos para um acordo”, afirmou o ministro.

Tarifas sobre produtos brasileiros

Os Estados Unidos estabeleceram neste ano duas cobranças adicionais sobre produtos brasileiros, de 25% e 12,5%. Dependendo da mercadoria, as alíquotas podem ser aplicadas simultaneamente, elevando a tarifa a até 37,5%.

A cobrança adicional de 25% passou a atingir, em julho, produtos como máquinas, móveis, etanol, açúcar e calçados. Alguns itens relevantes da pauta de exportações brasileira, entre eles café, carne bovina e aeronaves, ficaram fora dessa tarifa.

O governo norte-americano justificou as medidas com acusações de práticas comerciais consideradas desleais. Entre os assuntos citados em investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos estão comércio digital, Pix, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual e desmatamento.

A investigação foi realizada com base na Seção 301, dispositivo que permite aos Estados Unidos adotar medidas de retaliação comercial.

Pix não será negociado, diz ministro

Um dos temas discutidos na reunião desta segunda-feira foi o sistema de pagamentos Pix. Márcio Elias Rosa afirmou que o governo brasileiro não considera a possibilidade de negociar o modelo.

“O Pix é um patrimônio do Brasil. Mais de 80% dos brasileiros usam Pix. Não há a possibilidade de negociarmos o Pix, isso foi ressaltado”, declarou.

Além dos representantes técnicos, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou da reunião.

Governo vê possibilidade de acordo

Rosa demonstrou otimismo com a retomada das negociações e afirmou que os próximos encontros deverão estabelecer as bases para um eventual entendimento entre os dois países.

Segundo o ministro, a proposta discutida anteriormente pelos Estados Unidos era considerada genérica e já havia sido rejeitada pelo Brasil. A intenção agora é avançar em uma negociação mais detalhada.

“Teremos reuniões técnicas para acertar as bases. Não vamos seguir na linha do que vinha antes, era uma proposta de acordo muito genérica. O Brasil já recusou. Insistimos nesse ponto na negociação. Estou muito otimista. Após o telefonema de Lula e Trump, há uma indicação clara do Trump por um acordo”, afirmou.