A três dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram o confronto político em torno da abertura de dados sigilosos. Nesta quinta-feira (22), a campanha petista deve formalizar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma resposta às condições estabelecidas pelo adversário.
A discussão começou no domingo (18), durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, quando Lula desafiou Flávio a autorizar a divulgação de informações bancárias e telefônicas dos dois candidatos e de seus familiares. O presidente afirmou estar disposto a liberar os próprios dados, desde que o senador adotasse a mesma iniciativa.
Na terça-feira (20), Lula formalizou na Justiça Eleitoral uma autorização para a abertura de seus sigilos e dos registros de familiares. A iniciativa, porém, ficou condicionada à adesão do candidato do PL à mesma medida.
Flávio respondeu na quarta-feira (21), ao apresentar ao TSE um documento com 19 exigências para aceitar a proposta. Entre os pedidos estão informações sobre as contas do Instituto Lula, os gastos do cartão corporativo da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, e os registros relacionados ao ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro.
O senador também solicitou acesso a informações sobre empresas ligadas a familiares do presidente, agendas oficiais e registros de visitas aos palácios do governo. As condições ampliaram o alcance da discussão para além dos dados pessoais dos dois candidatos.
Durante um evento em São Paulo, Flávio afirmou que pretende levar a iniciativa adiante e fez acusações contra Lula e seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. As declarações ocorreram no contexto da cobrança pela abertura dos registros.
Na noite de quarta-feira, integrantes da campanha de Lula comunicaram que o presidente aceita as condições apresentadas pelo senador, desde que ele também cumpra as exigências relacionadas à divulgação de informações sigilosas.
O ministro da Educação, Camilo Santana, declarou que a campanha petista não vê impedimentos para atender aos pedidos de Flávio, desde que haja reciprocidade. Segundo ele, um documento com a resposta seria apresentado ao TSE às 11h desta quinta-feira.
A disputa ocorre na reta final da campanha presidencial, enquanto os dois candidatos se preparam para o último debate do segundo turno, previsto para sexta-feira (23), na TV Globo. A discussão sobre a abertura de sigilos passou a ocupar espaço nas estratégias das duas campanhas antes da votação de domingo.

















