Soja a céu aberto e violações ambientais: relatório revela controle do banco BTG sobre fábrica do Grupo Safras em Cuiabá

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Foto: Reprodução
ALMT

Um relatório sobre a reintegração de posse de uma fábrica de processamento de soja, localizada em Cuiabá e sob controle do Grupo Safras, expôs a influência do banco BTG, que aparentemente domina a operação do local. A reintegração, determinada pela 1ª Vara Cível de Cuiabá em favor da empresa Carbon Participações Ltda, foi inicialmente cumprida, mas suspensa pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso logo após.

Ao chegarem no local, os oficiais foram recebidos pelo gerente da unidade, Cleber Luiz Bedin, que reconheceu a ordem judicial e assinou o mandado. Contudo, ao questionado sobre quem realmente controlava as operações, Bedin afirmou: “Aqui tudo é BTG, a Safras tá quebrada”, conforme documento apresentado e confirmado por notas fiscais que favoreciam a empresa Engelhart CTP (Brasil) S.A, vinculada ao grupo BTG.

Embora tenha colaborado inicialmente, a empresa resistiu ao permitir o acesso dos representantes legais da Carbon. A negativa gerou a necessidade de apoio da Polícia Militar para garantir o cumprimento da ordem judicial. Durante a vistoria realizada entre 20 e 21 de março, foram identificadas várias irregularidades ambientais e operacionais. O relatório apontou condições precárias de armazenamento de grãos e resíduos, descarte inadequado de rejeitos industriais, acúmulo de água estagnada e falta de protocolos de higiene. Também foram observadas falhas graves nos equipamentos e riscos à saúde pública devido à proliferação de mosquitos transmissores de doenças como dengue e zika vírus.

O laudo técnico contratado pela Carbon confirmou o descumprimento de normas ambientais e de segurança, como a falta de contenção para cinzas e resíduos, acúmulo de óleo no solo e ausência de tratamento adequado dos efluentes líquidos. A fábrica também apresentava volumes significativos de soja e subprodutos expostos a céu aberto, sem qualquer proteção contra intempéries, além de materiais descartados de maneira desorganizada, comprometendo a segurança dos trabalhadores e o meio ambiente.

A defesa do Safras argumentou que o prazo de três dias para a desocupação ainda estava em curso, tentando justificar a continuidade das operações e a entrada de novos caminhões. No entanto, os oficiais consultaram o juízo responsável, que esclareceu que qualquer atividade que inviabilizasse a execução da ordem judicial estava vedada durante esse prazo.

Em 22 de março, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso concedeu liminar suspendendo temporariamente a reintegração de posse, o que foi comunicado oficialmente e interrompeu as diligências da Carbon.

O processo segue em tramitação, com base em uma execução de título extrajudicial ajuizada pela Carbon Participações Ltda. O desfecho depende da análise do mérito no recurso que tramita no Tribunal de Justiça.

Enquanto isso, a juíza Geovana Pasqual de Melo, da 4ª Vara Cível de Sinop, negou o pedido de antecipação de blindagem e determinou que o Safras, conglomerado agroindustrial do ex-prefeito de Sorriso, Dilceu Rossato, que enfrenta uma dívida de R$ 144 milhões e está prestes a entrar em recuperação judicial, faça o pedido adequado de socorro judicial.

FONTE – RESUMO