As anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro durante uma reunião da cúpula do PL, realizada na terça-feira (24), revelam bastidores da estratégia eleitoral do partido para as eleições deste ano. O documento, intitulado “situação nos estados”, reúne uma lista de possíveis candidaturas acompanhada de observações manuscritas. No dia seguinte, o parlamentar confirmou ser o autor das anotações, mas afirmou que parte dos comentários registrados reflete opiniões de outros participantes do encontro.
A reunião contou com integrantes da direção nacional da sigla, além do próprio senador, que já havia se reunido anteriormente com o coordenador de campanha, Rogério Marinho, e com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto.
No topo do documento aparece a anotação “ligar Tarcísio”, referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. No cenário paulista, o foco é a definição do candidato a vice na tentativa de reeleição do governador. O atual vice, Felício Ramuth, é citado com um símbolo de cifrão ao lado do nome — ele é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, acusação que nega. Também aparece como alternativa o presidente da Alesp, André do Prado.
Para o Senado em São Paulo, o deputado Guilherme Derrite é apontado como um dos nomes do grupo bolsonarista. Já a segunda vaga ainda estaria indefinida, com possibilidades como Renato Bolsonaro, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano.
Em Minas Gerais, há registro de desconfiança em relação ao vice-governador Mateus Simões, com a observação de que poderia “puxar para baixo” a chapa. O texto ainda menciona possíveis candidaturas de Rodrigo Pacheco e Cleitinho ao governo estadual. O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, surge como alternativa, acompanhado da nota “conversa com Nikolas”, em referência ao deputado Nikolas Ferreira.
Para o Senado mineiro, aparecem os nomes de Carlos Viana, Domingos Sávio, Marcelo Aro e Eros Biondini, sendo que Viana e Sávio teriam marcação de apoio.
Em Alagoas, o prefeito de Maceió, JHC, e o deputado Alfredo Gaspar são citados como opções ao governo. Para o Senado, há menção a “Arthur (JB)”, numa possível sinalização de apoio a Arthur Lira, com aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. Pelo acordo interno, Bolsonaro indicaria os nomes ao Senado, enquanto Valdemar ficaria responsável pelas escolhas aos governos estaduais.
No Distrito Federal, o plano inicial previa Celina Leão ao governo e Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado. Contudo, uma anotação aponta entrave caso Ibaneis Rocha dispute o Senado, o que inviabilizaria duas candidaturas do PL na mesma composição.
No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel é indicado como nome a ser apoiado. Para o Senado, surgem Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, este último descrito como tendo bom desempenho em pesquisas. O deputado Marcos Pollon é citado com anotação envolvendo suposto pedido financeiro para desistência, o que ele nega. Situação semelhante envolve Gianni Nogueira, esposa do deputado Rodolfo Nogueira.
Na Bahia, a prioridade seria alinhar apoio ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. No Ceará, o partido cogita apoiar Ciro Gomes, enquanto no Piauí aparece a possibilidade de apoio ao senador Ciro Nogueira.
Na Paraíba, o senador Efraim Filho pode migrar para o PL para disputar o governo, e Marcelo Queiroga é apontado ao Senado.
No Paraná, há restrição ao nome do deputado Giacobo, enquanto o partido planeja apoiar Filipe Barros ao Senado. O rascunho menciona ainda Deltan Dallagnol como candidato competitivo, ligado ao grupo do governador Ratinho Junior.
No Rio Grande do Sul, o cenário é considerado resolvido, com Zucco ao governo e Sanderson e Marcel Van Hattem ao Senado. O ex-ministro Onyx Lorenzoni é citado como possível vice.
Em Goiás, aparecem como alternativas ao governo Daniel Vilela e Wilder Moraes. Para o Senado, são lembrados Gustavo Gayer e Gracinha Caiado.
Já em Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes é apontado como líder nas pesquisas para o governo. A deputada estadual Janaina Riva é mencionada como nome certo na disputa ao Senado, “de qualquer forma”, integrando ou não a chapa do PL.
Em Santa Catarina, o senador Esperidião Amin teria sido preterido, com a vaga ao Senado destinada a Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, decisão atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com informações Olhar Direto



















