PF amplia investigação sobre fraude bilionária nas Americanas e cumpre mandados contra ex-executivos

0
12
Igo Estrela/Metrópoles
[pro_ad_display_adzone id="52768"]

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira, a segunda etapa da Operação Disclosure para aprofundar as investigações sobre as supostas fraudes contábeis envolvendo a Americanas. A apuração trata de um rombo estimado em R$ 24 bilhões, considerado um dos maiores casos do mercado financeiro brasileiro.

Nesta fase, a investigação foi ampliada e passou a incluir, além de ex-diretores da companhia, acionistas de referência e representantes de grandes bancos privados. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, em endereços localizados nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. A operação conta com o apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Entre os investigados estão Carlos Alberto Sicupira, Paulo Alberto Lemann, Sérgio Rial, Eduardo Saggioro, Alexandre Abdo, André Almeida, Carlos Henrique Villela Pedras, Gustavo Balassiano e José Rudge.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados teriam conhecimento das supostas irregularidades contábeis praticadas durante vários anos e da forma como essas operações eram registradas nas demonstrações financeiras da empresa.

Por decisão da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, também foi determinado o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões. Segundo a PF, o valor corresponde à estimativa dos prejuízos apontados por laudos periciais e busca assegurar eventual ressarcimento decorrente das investigações.

As apurações indicam que o esquema teria sido estruturado para esconder a real situação financeira da companhia por meio da manipulação de balanços contábeis. Um dos principais focos da investigação envolve operações de risco sacado, que, conforme a Polícia Federal, podem ter sido registradas de forma inadequada, reduzindo artificialmente a percepção do endividamento da empresa.

Outro eixo da investigação concentra-se nas chamadas verbas de propaganda cooperada (VPC). Conforme a apuração, parte desses valores teria sido contabilizada sem respaldo econômico efetivo ou com montantes superiores aos efetivamente devidos, o que teria contribuído para melhorar os resultados financeiros apresentados ao mercado.

Para os investigadores, as supostas manipulações permitiram ocultar dívidas, elevar receitas e divulgar demonstrações financeiras incompatíveis com a realidade da empresa. A investigação também aponta que ex-executivos teriam recebido bônus milionários vinculados ao desempenho financeiro da companhia e obtido ganhos com a valorização artificial das ações negociadas na Bolsa.

A primeira fase da Operação Disclosure foi realizada em junho de 2024 e resultou no cumprimento de mandados de prisão e de busca contra ex-integrantes da administração da empresa. Segundo a Polícia Federal, o avanço das investigações e das provas reunidas motivou a adoção das novas medidas, que buscam individualizar a responsabilidade de cada investigado e ampliar a produção de provas.

Os investigados são suspeitos, em tese, da prática dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa, sem prejuízo da apuração de outros delitos que possam ser identificados ao longo da investigação. Até a última atualização das informações, os alvos da operação não haviam se manifestado.