O último debate entre candidatos à Presidência antes do primeiro turno, marcado para esta quinta-feira (1º/10), será realizado sem a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador Flávio Bolsonaro (PL), que não esteve nos debates anteriores, confirmou presença e deverá participar pela primeira vez de um confronto televisivo nesta eleição.
Lula informou que não comparecerá ao debate e, no mesmo período, participará de uma entrevista no Flow Podcast. O programa está previsto para começar às 20h45, enquanto o debate terá início às 21h30.
Com a ausência, Lula chegará à votação de domingo (4/10) sem ter participado de debates entre os presidenciáveis durante a campanha. A decisão ocorreu após integrantes de seu grupo político avaliarem que o formato poderia deixá-lo exposto a ataques dos demais candidatos, com tempo limitado para apresentar propostas.
A possibilidade de Lula participar do último encontro dividiu integrantes de seu entorno. Ao final, prevaleceu a avaliação de que o presidente poderia ficar mais tempo sujeito a críticas do que apresentando suas propostas. A participação em debates diretos com Flávio Bolsonaro, porém, não está descartada caso haja segundo turno.
Esta não é a primeira vez que Lula deixa de comparecer ao último debate antes de uma eleição presidencial na qual busca a reeleição. Em 2006, o petista também não participou do encontro promovido pela Globo, realizado três dias antes da votação. Na ocasião, a ausência foi explorada pelos adversários durante o programa.
Naquele primeiro turno, Lula obteve 48,61% dos votos válidos e avançou para a segunda etapa contra Geraldo Alckmin, então filiado ao PSDB. Posteriormente, o presidente reconheceu, durante o horário eleitoral, que havia cometido um erro ao não comparecer aos debates. A campanha também apontou as ausências como um dos fatores que teriam dificultado uma vitória ainda no primeiro turno.
Sem Lula, Flávio deverá dividir o estúdio com Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Integrantes da campanha do senador esperam que a ausência do presidente faça com que parte dos ataques dos demais participantes seja direcionada a Flávio.
A decisão sobre a participação do senador também provocou divergências entre seus aliados. Enquanto um grupo considerava que a ausência de Lula poderia reduzir a necessidade de comparecimento, outros avaliavam que faltar ao debate a poucos dias da eleição poderia representar uma perda de espaço para dialogar com os eleitores.
Flávio passou parte da quarta-feira (30/9) se preparando para o encontro. Segundo integrantes da campanha, ele pretende abordar a ausência de Lula e fazer críticas ao governo principalmente nas áreas de economia e segurança pública.
Pedido de Renan Santos é negado pelo TSE
Também na quarta-feira (30/9), o Partido Missão acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar garantir a participação de Renan Santos no debate presidencial da Globo.
A legenda afirmou que o candidato participava, desde março, das tratativas relacionadas à cobertura eleitoral da emissora. A equipe de Renan esteve em reuniões preparatórias, e o candidato participou de entrevista no G1 e na GloboNews, em 5 de agosto, além de sabatina no Jornal Nacional, em 26 de agosto.
O partido também argumentou que a desistência de Lula abriria espaço para a inclusão de Renan no encontro, sob a alegação de que ele havia cumprido os demais critérios definidos pela emissora. A legenda pediu ao TSE que determinasse a presença do candidato e autorizasse o credenciamento de sua equipe.
Na noite de quarta-feira, porém, o ministro Kassio Nunes Marques negou o pedido. Segundo a decisão, a regra apresentada na ata do debate não garantia automaticamente a participação de um candidato que atingisse determinado índice de intenção de voto na pesquisa Quaest.
Estratégia de Flávio mira os últimos dias de campanha
A campanha de Flávio Bolsonaro também considera o debate uma oportunidade para buscar votos na reta final antes da eleição. A estratégia é alcançar eleitores que ainda apoiam outros candidatos e pessoas que não definiram o voto.
Aliados do senador avaliam ainda que existe espaço para ampliar o apoio entre eleitores contrários ao PT. Essa perspectiva pesou na decisão de manter a participação no debate mesmo sem a presença de Lula.
Ao mesmo tempo, a equipe prepara Flávio para temas que podem ser levantados pelos adversários. Entre eles está a informação falsa de que o senador pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Flávio negou a alegação, que continuou circulando nas redes sociais.
Outro assunto considerado sensível pela campanha é a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Áudios e mensagens divulgados durante a pré-campanha mostraram que o senador pediu recursos ao banqueiro para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Integrantes da campanha avaliam que a repercussão do episódio diminuiu, mas ainda consideram o caso uma das principais controvérsias envolvendo Flávio nesta eleição. A expectativa dos aliados é de que o tema possa voltar a ser abordado durante o debate desta quinta-feira.















