PJC mira influenciadora que já foi capa de revista e suspeitos de esquema de jogos que movimentou R$ 28 milhões

0
4
Crédito: Reprodução
[pro_ad_display_adzone id="52768"]

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (18), a Operação Engodo Digital, com o objetivo de desarticular um grupo investigado por exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa. A apuração é conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop e tem como foco atividades realizadas em Sorriso.

Ao todo, foram expedidas 56 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, quebra de sigilo telemático, bloqueio de contas em redes sociais e de valores bancários. A Justiça também determinou medidas cautelares diversas da prisão, como a apreensão de passaportes. Mais de R$ 21,4 milhões foram bloqueados nas contas dos investigados.

Entre os alvos estão 10 pessoas físicas e oito empresas. Uma das investigadas é uma influenciadora digital de Sorriso que possui mais de 115 mil seguidores em uma rede social e já foi capa da revista Sexy. As autoridades apuram a atuação dela na divulgação de plataformas de apostas que não tinham autorização regulatória.

Em Mato Grosso, as medidas são cumpridas em Sorriso. Também foram expedidas ordens em São Paulo, na capital, e em São Bernardo do Campo. A ação conta com equipes das delegacias regionais de Nova Mutum e Sinop, além do apoio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) da Polícia Civil paulista.

De acordo com a investigação, a influenciadora ocupava uma posição central no esquema. Ela teria utilizado duas contas em uma rede social para promover plataformas de jogos de azar não autorizadas. Além disso, mantinha com outra investigada um grupo no WhatsApp destinado à distribuição de links e orientações para apostas de cotas fixas consideradas ilegais.

A Draco identificou uma movimentação superior a R$ 28 milhões entre 2023 e 2025 que não teria sido declarada. Segundo a investigação, existem fortes indícios de que os valores tenham origem nas atividades de jogos ilegais realizados pela internet.

Conforme a apuração, parte dos recursos era direcionada para contas de empresas relacionadas às plataformas de apostas, entre elas Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos. Na sequência, os valores seriam redistribuídos para familiares e colaboradores da influenciadora.

A investigação aponta ainda que diferentes empresas teriam sido criadas com o objetivo de ocultar a origem dos recursos. Os investigadores também identificaram, segundo a apuração, simulações societárias em empresas do setor de beleza.

Investigação apura ligação com operação da Polícia Federal

Dois investigados na Operação Engodo Digital possuem endereços no estado de São Paulo. A Polícia Civil de Mato Grosso também busca esclarecer uma possível relação deles com a Operação Narco Fluxo, realizada pela Polícia Federal em abril deste ano.

A operação da PF resultou na prisão dos cantores MC Ryan SP e Poze do Rodo, do influenciador Chrys Dias e do responsável pela página Choquei. Segundo as investigações daquele caso, uma fintech apontada como núcleo financeiro teria concentrado recursos provenientes de plataformas clandestinas de apostas e possibilitado o envio de dinheiro para o exterior.

A mesma empresa e seu proprietário também foram alvos de medidas determinadas no âmbito da Operação Engodo Digital. Em São Paulo, foram cumpridas ordens de busca e apreensão, sequestro de bens e valores e apreensão de passaporte.