A União Europeia decidiu suspender, a partir de 3 de setembro, a entrada de carne e outros produtos de origem animal produzidos no Brasil para consumo humano. A medida foi adotada no contexto das políticas europeias voltadas à redução da resistência a antimicrobianos e atinge um dos principais setores das exportações brasileiras.
Segundo o entendimento das autoridades europeias, o Brasil deixará de integrar a lista de países autorizados a exportar esses produtos ao bloco por não atender às exigências relacionadas à ausência total de agentes antimicrobianos utilizados para estimular o crescimento animal.
Com a entrada em vigor da restrição, produtos como carne bovina, mel, embutidos e pescado poderão ser impedidos de acessar o mercado europeu. O impacto mais significativo recai sobre a carne bovina, responsável por uma parcela expressiva das vendas brasileiras ao continente.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à decisão e informou que apresentará argumentos às autoridades europeias na tentativa de reverter a medida. A administração brasileira sustenta que o sistema sanitário nacional atende aos padrões exigidos e destaca a relevância do país como um dos maiores exportadores mundiais de proteínas de origem animal.
A decisão também provocou desconforto por ocorrer em um momento de aproximação comercial entre Mercosul e União Europeia. Enquanto o Brasil foi alvo da restrição, outros integrantes do bloco sul-americano, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permaneceram aptos a exportar produtos de origem animal para os países europeus.
Dados citados por autoridades brasileiras apontam que as exportações de carne bovina para a União Europeia ultrapassaram 370 mil toneladas em 2025, movimentando cerca de US$ 1,8 bilhão. Caso o veto seja mantido, o setor poderá enfrentar impactos relevantes nas vendas destinadas ao mercado europeu.




















