Lula amplia articulação com Centrão e enfraquece espaço de Flávio Bolsonaro

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Hugo Motta e Lula. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O cenário político para a eleição presidencial mudou com a aproximação de integrantes do Centrão ao governo Lula. Segundo a análise, lideranças que anteriormente avaliavam uma possível alternância de poder passaram a adotar uma postura mais próxima do presidente após Jair Bolsonaro escolher o filho, Flávio Bolsonaro, como candidato à Presidência.

Antes da definição da candidatura, caciques do Centrão vinham se afastando gradualmente do governo, diante da avaliação de que a direita aparecia em vantagem nas pesquisas eleitorais. A expectativa era construir relações com quem tivesse melhores condições de vencer a disputa presidencial.

Flávio Bolsonaro chegou a apresentar crescimento nas pesquisas no início do ano, mas sua campanha perdeu força em maio após a divulgação de informações sobre conversas entre o senador e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Desde então, segundo a análise, o candidato não conseguiu recuperar o desempenho entre os eleitores, especialmente os independentes.

Nesse contexto, Lula passou a intensificar as negociações com dirigentes do Centrão. Um dos movimentos mais recentes ocorreu nesta semana, quando o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), declarou apoio à reeleição do petista.

Motta já vinha estreitando a relação com Lula. O presidente havia manifestado apoio à candidatura de Nabor Wanderley, pai do deputado, ao Senado pela Paraíba.

Outro acordo citado na análise envolve Ciro Nogueira, presidente do PP. Conforme informações atribuídas a uma reportagem do Estadão, Lula teria combinado que o governo não dificultaria a campanha de Ciro à reeleição pelo Piauí, enquanto o dirigente do PP adotaria uma postura de não oposição ao presidente.

O estado é governado por Rafael Fonteles (PT), que integra o grupo político de Lula.

Na semana anterior, Lula também se reuniu com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, em um encontro realizado na residência do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O conteúdo da conversa não foi divulgado.

Com as aproximações, partidos que integram o Centrão, entre eles União Brasil, PP, Podemos e Republicanos, optaram por manter uma posição de neutralidade em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro. A postura reduziu o espaço disponível ao senador no horário eleitoral.

O movimento é apontado como uma demonstração da força de articulação de Lula nas negociações com os partidos de centro durante a corrida presidencial.