Michelle encerra passagem pelo PL Mulher após ampliar número de filiadas e candidaturas femininas

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Hugo Barreto/Metrópoles
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A passagem de Michelle Bolsonaro pela presidência do PL Mulher foi marcada pelo crescimento da participação feminina no partido. Entre março de 2023 e maio de 2026, mais de 72 mil mulheres ingressaram na legenda, segundo dados internos. Ao fim de 2025, o partido contabilizava cerca de 397 mil filiadas, enquanto integrantes da sigla estimam que esse total tenha se aproximado de 100 mil novas adesões ao longo de sua gestão.

Além da expansão no número de filiadas, o partido também ampliou sua representação feminina nas eleições municipais de 2024. Inicialmente, 1.005 mulheres foram eleitas pela legenda. Após a conclusão do processo eleitoral, 995 permaneceram nos cargos, sendo 849 vereadoras, 85 vice-prefeitas e 61 prefeitas.

Entre as prefeitas eleitas, destacou-se Emilia Correia, vencedora da disputa pela Prefeitura de Aracaju. Ao lado de Adriane Lopes, reeleita em Campo Grande, ela figurou entre as duas únicas mulheres eleitas para administrar capitais brasileiras naquele pleito.

Dirigentes do partido atribuem os resultados ao trabalho desenvolvido por Michelle Bolsonaro à frente da ala feminina da legenda. Durante sua gestão, ela percorreu diferentes estados e municípios em ações voltadas ao fortalecimento de lideranças femininas e à estruturação de diretórios do movimento nas unidades da Federação.

Na comparação com as eleições municipais de 2020, quando a legenda havia elegido 693 mulheres — entre vereadoras, vice-prefeitas e prefeitas —, o desempenho registrado em 2024 representa um crescimento de quase 44% no número de mulheres eleitas.

O desempenho foi apontado por integrantes do partido como um dos motivos que levaram a direção da legenda a tentar manter Michelle Bolsonaro no comando do PL Mulher. Ainda assim, ela deixou a presidência do grupo após conversa com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que posteriormente decidiu extinguir o cargo de presidente nacional do braço feminino da legenda.

A saída ocorreu em meio ao desgaste público envolvendo Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. Segundo pessoas ligadas ao partido, divergências internas se intensificaram ao longo dos últimos meses, especialmente após a definição do senador como pré-candidato da legenda à Presidência da República.

Aliados da ex-primeira-dama afirmam que os resultados obtidos durante sua gestão demonstram sua influência política própria, especialmente junto ao eleitorado feminino e evangélico. Antes da definição do nome de Flávio Bolsonaro para a disputa presidencial, Michelle chegou a ser cogitada como possível candidata ao Palácio do Planalto e também era considerada uma das principais opções do partido para disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal.

Nos bastidores, dirigentes avaliam que a ausência de Michelle Bolsonaro poderá representar um desafio adicional para a estratégia do partido de ampliar sua presença entre o eleitorado feminino nas próximas eleições.