Lulinha esteve 18 vezes no Palácio do Planalto desde 2023, segundo registros da Presidência

0
3
Danilo M. Yoshioka/ Especial Metrópoles
[pro_ad_display_adzone id="52768"]

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, esteve 18 vezes no Palácio do Planalto entre junho de 2023 e janeiro de 2025, conforme registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. As visitas ocorreram em 15 dias diferentes e, segundo os dados, tiveram duração total de 23 horas e 26 minutos.

Os registros passaram a chamar atenção diante de investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com mensagens que estão em posse da PF, Lulinha mantinha contato com pessoas próximas ao núcleo do governo e trocava informações com a lobista Roberta Luchsinger. As conversas indicam que ele também participava de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Os registros de entrada e saída do Planalto indicam que as permanências de Lulinha variaram de 19 minutos a mais de quatro horas. O Gabinete de Segurança Institucional informou que os dados disponíveis não registram os locais específicos nem os motivos das visitas.

A defesa de Lulinha afirmou que ele esteve no Planalto para encontrar amigos e o próprio pai. O advogado Marco Aurélio de Carvalho declarou que o empresário nunca tratou de assuntos relacionados à Administração Pública durante essas ocasiões.

A Secretaria de Comunicação da Presidência também afirmou que os encontros tiveram caráter estritamente privado e que não envolveram temas relacionados à Administração Pública. Segundo a pasta, as visitas não resultaram em qualquer desdobramento administrativo.

As investigações da PF também analisam mensagens trocadas entre Lulinha e Roberta Luchsinger. Em uma conversa de março de 2024, a lobista afirmou que os dois trabalhavam em um nível diferenciado e mencionou a possibilidade de um futuro na Suíça. Na mesma troca de mensagens, Lulinha relatou participar de reuniões com Marcola e Swedenberger.

Roberta Luchsinger também aparece nas apurações por ter recebido R$ 1,5 milhão em repasses do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Em uma das transferências, o empresário afirmou a um interlocutor que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”, expressão que, segundo a PF, poderia ser uma referência a Lulinha.

As mensagens analisadas pelos investigadores apontam ainda que Roberta teria pago despesas e comprado presentes para Marcola. Entre os itens discutidos estavam um colar de diamantes e um par de brincos. Segundo interlocutores da defesa do ex-assessor, as joias custaram R$ 9,2 mil e estariam relacionadas a um empréstimo de R$ 249 mil, posteriormente quitado com juros e correção.

Em outra conversa, Lulinha orientou Roberta a emitir uma nota fiscal para um empresário que havia obtido mais de R$ 80 milhões em contratos com o governo federal, a maior parte durante a atual gestão. A troca de mensagens ocorreu em julho de 2023.

Na ocasião, Lulinha também pediu que Roberta convidasse Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para ir à Praia do Forte, na Bahia. Na sequência, orientou a lobista a emitir uma nota fiscal para Cleber Ribas, proprietário da 3Structure It Ltda. O relatório da Polícia Federal registra ainda que Ribas havia solicitado anteriormente uma reunião com Lulinha.