Planalto avalia que participação de Flávio em audiência reforça caráter político de tarifa dos EUA

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Arte Metrópoles
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a participação do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro na audiência pública sobre a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% a produtos brasileiros reforça a percepção de motivação política por trás da medida.

Integrantes do governo consideram que o discurso do parlamentar na sessão promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos pode buscar sensibilizar autoridades norte-americanas, mas também deverá ser utilizado politicamente no Brasil.

A expectativa no Planalto é que Flávio e seus apoiadores divulguem trechos da participação do senador para defender a ideia de que ele atuou contra a aplicação da tarifa.

A audiência é aberta à sociedade civil e reúne representantes de empresas e associações. O governo brasileiro, no entanto, não participa da sessão. Interlocutores do presidente afirmam que o Executivo mantém canais diretos de negociação com a gestão de Donald Trump e considera o encontro um espaço destinado à manifestação dos setores afetados pela proposta.

A gestão Lula atribui a ameaça de taxação à atuação política de Flávio e de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Desde a conclusão da investigação conduzida pelo órgão comercial norte-americano, o Planalto sustenta que os argumentos apresentados contra o Brasil não possuem fundamentação técnica e apresentam caráter político.

Auxiliares presidenciais também avaliam que uma eventual implementação da tarifa poderá gerar desgaste político para Flávio Bolsonaro caso o senador não consiga contribuir para a reversão da medida.

Na semana passada, Flávio enviou um ofício ao governo dos Estados Unidos solicitando a suspensão das sobretaxas. No documento, argumentou que a medida poderia beneficiar eleitoralmente o governo Lula e pediu que a aplicação das tarifas fosse adiada, pelo menos, até as eleições presidenciais brasileiras.

A segunda etapa da audiência sobre a proposta de taxação ocorre nesta terça-feira. A sessão foi dividida em 14 painéis e reúne integrantes da sociedade civil, empresas e associações interessadas no tema. Representantes de setores como indústria e agronegócio também se inscreveram para participar.

Enquanto ocorre a audiência, o governo brasileiro mantém as negociações para tentar impedir a adoção da tarifa. Uma proposta com alternativas de compensação foi apresentada à equipe econômica de Donald Trump e prevê o fortalecimento de mecanismos de controle em áreas questionadas pelos Estados Unidos.

Entre os temas abordados estão comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. O Pix é considerado inegociável pelo governo brasileiro e não faz parte da proposta.

Máquinas, equipamentos de saúde e produtos de tecnologia da informação estão entre os setores que podem integrar as negociações para uma eventual redução de tarifas de importação.

Apesar das iniciativas diplomáticas e comerciais, auxiliares do governo consideram provável a implementação da alíquota. Os Estados Unidos têm até 15 de julho para decidir se adotarão a recomendação de aplicar a tarifa.

Técnicos dos dois países devem realizar uma nova reunião antes do prazo final, em preparação para um encontro entre representantes de alto nível dos governos brasileiro e norte-americano.