Silval: ex-prefeito tomou empréstimo e repassou dinheiro a juiz

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Foto: Reprodução
CAMARA VG

Midia News

O ex-prefeito de Sinop, Juarez Costa (PMDB), teria pegado um empréstimo de R$ 400 mil com o empresário Gércio Marcelino Júnior, o “Júnior Mendonça”, em 2009, e repassado todo o montante ao juiz eleitoral Eduardo Jacob (que morreu em 2012).

A revelação consta na delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) junto à Procuradoria Geral da República (PGR), homologada no dia 9 de agosto pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar de Silval ter dito não saber os motivos pelos quais Costa passou o dinheiro ao magistrado, os fatos envolveriam uma compra de decisão judicial para manter o então prefeito no cargo, fatos já investigados na Operação Ararath, da qual Júnior Mendonça é delator.

Em seu depoimento, o ex-governador disse que, na campanha de 2008, Juarez Costa passou a subir nas pesquisas e ter a chance de vencer a disputa, motivo pelo qual o candidato o procurou visando obter mais recursos para injetar na campanha.

Na época, Silval ainda era vice do então governador e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP).

“Tomei dinheiro emprestado com Gércio Marcelino Mendonça Júnior (Júnior Mendonça), Tegivan Luiz de Moraes e Wanderley Fachetti Torres [dono da Trimec Construtora], totalizando a importância aproximada de R$ 3 milhões. Juarez Costa recebeu a quantia em dinheiro em espécie, cheques e provavelmente material gráfico. Esse dinheiro foi emprestado exclusivamente para a campanha eleitoral”.

Após ser eleito, segundo Silval, Juarez Costa assumiu o compromisso de quitar essa dívida. A quitação em relação ao ex-governador e Tegivan, de acordo com a delação, foi feita por meio de uma área rural de 54 hectares, no valor de R$ 5 milhões, sendo que 75% do lote ficou com Silval e 25% com Tegivan.

Já Wanderley teria sido pago com outro terreno de 10 hectares, também localizado em Sinop e, assim, toda a dívida do empréstimo foi paga.

 

Compra de liminar

Durante o mandato na prefeitura, conforme o depoimento, Juarez Costa voltou a procurar Silval para pedir R$ 400 mil emprestados.

“Eu disse a Juarez que não tinha recursos para emprestar, mas disse que o auxiliaria. Fui até o Júnior Mendonça e pedi a ele que emprestasse a Juarez. Júnior Mendonça concordou em emprestar a quantia desde que Juarez emitisse um cheque e eu ficasse como avalista da operação”.

Logo após, segundo Silval, Juarez Costa emitiu o cheque e entregou a Júnior Mendonça, “tendo este o dever de repassar o montante ao então juiz eleitoral Eduardo Jacob (falecido)”.

O ex-governador disse que não sabe se Juarez quitou o empréstimo e nem o porquê de o montante ter sido repassado ao juiz Eduardo Jacob.  

Porém, conforme Júnior Mendonça relatou nas investigações da Operação Ararath, o dinheiro era destinado a comprar uma decisão judicial para manter Juarez Costa no cargo.

Na versão do empresário, todavia, o valor era de R$ 500 mil, e não R$ 400 mil.

Segundo o depoimento de Mendonça, o juiz membro do Tribunal Regional Eleitoral em Mato Grosso (TRE-MT), Eduardo Jacob, teria sido orientado por Silval a levar o dinheiro "emprestado", em espécie, para que o então presidente da Corte, desembargador Evandro Stábile, resolvesse o problema do pedido de cassação de Juarez Costa.

De acordo com Mendonça, o desembargador somente proferiria a decisão caso recebesse o dinheiro "de forma antecipada“.

O dinheiro havia sido repassado, conforme o inquérito que tramita na Justiça Federal, pelo próprio Júnior Mendonça a Eduardo Jacob. Como garantia, o empresário teria recebido um cheque pós-datado do mesmo valor acrescido de 3% de juros.

Júnior Mendonça ressaltou no depoimento que emprestou o montante em razão da negociação da decisão ser de interesse de Silval Barbosa, que não queria “perder força política na, região norte do Estado, mais precisamente em Sinop”.

 

evandro stabile no pleno

O desembargador Evandro Stábile, que teria recebido dinheiro para conceder liminar

Stábile foi afastado em 2010 por integrar esquema de venda de sentenças no interior. Ele foi condenado a seis anos de prisão, em 2015, e perdeu definitivamente o cargo por conta da punição.

 

Suspeitas da PF

Evandro Stábile estava com a relatoria da ação cautelar que visava reverter a cassação do prefeito – acusado de comprar votos com a distribuição de vales-combustível – e deferiu a decisão liminar (provisória) para suspender a cassação e manter Juarez Costa na prefeitura.

O que chamou a atenção da Polícia Federal no inquérito e deu sustentação ao depoimento foi a velocidade com que a liminar foi deferida: seis minutos.

“Distribuído para a Presidência do TRE/ MT, o processo foi recebido por Evandro Stábile no dia 30/06/2009 às 17h52min. Às 17h58min foi encaminhado à secretaria judIciária cóm a decisão deferindo a liminar com efeito suspensivo, mantendo o alcaiade no cargo”, diz trecho do inquérito.

Outro fator elencado pela PF foram denúncias, surgidas em março de 2012, de que haveria uma testemunha que presenciou Juarez Costa pagar a propina em espécie a Evandro Stábile.

Além disso, o nome do desembargador afastado também consta na planilha encontrada durante a busca e apreensão na casa do ex-secretário de Estado Éder Moraes, no cumprimento da 5ª fase da Operação Ararath, que investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresário, políticos, membros do Judiciário e servidores públicos. 
 

Veja fac-símile de trecho da delação:

PRINT REPASSE DE 400 MIL A JUIZ

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