Ex-drag queen, “Grampola” faz sucesso com áudios no Whats

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Michel Platini Borges, de 39 anos, é responsável por dar vida à Grampola
CAMARA VG

Mídia News

Os áudios escrachados e irreverentes transformaram a personagem Grampola Platini em um fenômeno em grupos de WhatsApp e em redes sociais.

Seja por meio de críticas a políticos ou ironizando situações do cotidiano, ela sempre expressa sua opinião de modo debochado e sincero.

Grampola foi criada por Michel Platini Borges, de 39 anos, que era transformista e costumava utilizar roupas femininas, maquiagem e peruca para tornar-se a personagem.

Borges deixou de se caracterizar como Grampola no ano passado. Ele continuou dando vida à personagem em áudios e vídeos, desta vez sem caracterização, quando ganhou repercussão nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens de mato-grossenses.

O criador da Grampola, atualmente, trabalha como gerente de Cultura da Prefeitura de Várzea Grande. Ele também participa de um programa em uma rádio da Grande Cuiabá, na qual dá vida à famosa criação.

O artista define a personagem como alegre, extrovertida, louca e desbocada. Em seus áudios, ela costuma proferir bordões que se popularizaram, como “cambada de bicha à toa”, “estou farta”, “uoi” e “cada um com a sua sorte”.

Segundo o criador de Grampola, todos os dizeres foram criados espontaneamente, durante as gravações dos áudios.

“A Grampola não concorda com muita coisa. Ela é uma crítica de tudo. Na maioria dos áudios, está brincando com uma situação verdadeira e as pessoas começam a achar graça, porque ela é louca e grita muito”, contou.

Borges explicou que a personagem surgiu em 2000, quando ele começou a carreira de drag queen. Ele chegou a vencer o título de Miss Drag Queen Mato Grosso durante quatro anos consecutivos.

Na maioria dos áudios, está brincando com uma situação verdadeira e as pessoas começam a achar graça, porque ela é louca e grita muito

 

 

“Eu fui fazendo sucesso, as pessoas viram que a Grampola era caricata, aí começaram a me chamar e comecei a fazer vários shows. Depois, deu uma caída. Nisso, eu fui para São Paulo, para participar da Parada Gay, e o programa "Pânico na TV" me entrevistou. Quando eu voltei, todo mundo comentou sobre a minha aparição e fui crescendo novamente”, disse.

Ele atribuiu o sucesso da personagem ao fato de as pessoas não buscarem coisas normais. “Todo mundo está cansado de gente normal, por isso aquilo que sai do senso comum vira febre”, disse.

O sucesso da criação artística surpreendeu Borges, que nunca fez nenhum curso de teatro. “Acredito que seja algo que vem de sangue. O meu pai era primo em terceiro grau do Liu Arruda [famoso comediante mato-grossense, já falecido]”.

Depois do sucesso com Grampola, ele criou uma nova personagem: a Dona Sebastiana, inspirada nos cuiabanos mais antigos.

Apesar do sucesso, o gerente cultural encerrou a carreira de transformista no ano passado, pois estava cansado de se caracterizar como a personagem.

“Minha última apresentação oficial foi em 9 de abril. Depois, decidi deixar de ser transformista e animador de festas, pois cheguei a um ponto em que não quis mais. Estava fazendo muitas pessoas sorrirem e eu mesmo nunca sorria. Então, cansei”, justificou.

O artista comentou que, depois que encerrou a carreira, se vestiu de Grampola apenas em poucas ocasiões.

“Eu voltei a me transformar na personagem em eventos que já estavam agendados e em alguns outros nos quais o cachê era bom. Eu ainda posso me montar, mas, se o cachê for muito bom, acima de R$ 700. Mas é raro aceitarem pagar isso em Mato Grosso”, observou.

Os áudios

O encerramento da carreira como transformista não marcou o fim da existência de Grampola. Borges continuou dando vida à criação em áudios de WhatsApp que costumava enviar a amigos. “As pessoas não aceitaram o fim dela e os áudios começaram a estourar”, disse.

Desde então, ele disse que passou a ser a personagem 24 horas por dia. “Na verdade, o Michel morreu. Hoje, é só a Grampola. É muito raro encontrar alguém me chamando de Michel. Não gosto mais que me chamem assim”, afirmou.

“Atualmente, somente grande parte da minha família e meus amigos de infância me chamam de Michel”, explicou.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Grampola 06-09-2017

Ex-transformista, criador de Grampola aproveita frutos do sucesso de personagem

 

Ele revelou que começou a gravar os áudios da personagem há cerca de três anos. Na época, as gravações eram compartilhadas somente entre amigos, como forma de brincadeira.

“As pessoas vinham e me contavam algum ‘bafão’ sobre outro conhecido, mas que elas mesmas não tinham coragem de comentar. Então, a Grampola ia lá e gravava uma mensagem contando aquela informação”, relembrou.

As gravações da personagem passaram a repercutir fora do grupo de amigos de Borges e ganharam notoriedade entre desconhecidos.

Desta forma, os áudios de Grampola passaram a ser constantemente compartilhados em diversos grupos de aplicativos de mensagens e também em redes sociais.

“Os áudios repercutiram muito e hoje as pessoas querem a Grampola. Ela está sendo disputada em eventos. Por exemplo, na quarta-feira, tinha cinco festas para eu ir. Não cobro nada para participar do eventos, pois sempre são amigos que me chamam, porque sabem que sou uma pessoa animada”.

“As pessoas gostam da Grampola porque ela é uma louca, que existe para fazer com que os outros possam rir”, comentou.

O sucesso dos áudios da personagem foi tanto que Borges foi chamado para participar de um programa na Rádio Jovem Pan.

“Convidaram a Grampola para fazer comentários e participar do programa “As sete melhores”, com a Simone Marques, que vai ao ar das 20h às 21h. Foi algo que me surpreendeu, porque eu não esperava”, disse.

A personagem também fez participações em um extinto programa de televisão, no Canal 27.

Além dos áudios, na internet também circulam vídeos da personagem. Grande parte deles é gravada por outras pessoas, que pedem para Grampola mandar recados a conhecidos ou a políticos.

“Tem gente que me conhece nas ruas por causa desses vídeos, que também são compartilhados no WhatsApp. Geralmente, são as pessoas que fazem essas gravações, porque eu mesmo nunca parei para dedicar à minha carreira, montar blog ou criar canal no YouTube”, destacou.

Junto com o sucesso, o artista citou que surgiram também cobranças para que ele esteja sempre alegre. “Há lugares em que vou, fico 20 minutos parado, quieto, e as pessoas vêm me perguntar: o que foi? o que aconteceu? por que você tá quieto? Esse tipo de pergunta me deixa incomodado, porque muita gente pensa que eu tenho que ser feliz 24 horas por dia”, observou.

Outra situação que mudou depois que a personagem fez sucesso foram as mensagens recebidas por Borges em seu WhatsApp. Ele disse que muitas pessoas passaram a procurá-lo para pedir conselhos.

“São pessoas que nunca vi na vida e que me contam determinada situação que estão vivendo. Eles querem saber o que a Grampola faria se estivesse na pele deles. Geralmente, eu respondo como a personagem agiria”, relatou.

As pessoas gostam da Grampola porque ela é uma louca, que existe para fazer com que os outros possam rir

 

Preconceito

O riso fácil de Grampola sai de cena quando o assunto é o preconceito. O artista contou que passou por diversas situações complicadas, em razão de sua orientação sexual. “O preconceito que dói mais é o da própria família. Da rua, você já espera que pode haver represália, mas por parte dos próprios parentes é mais complicado, porque você espera que eles sejam seu alicerce”, lamentou.

De acordo com artista, o preconceito diminuiu após começar a fazer sucesso como transformista. “Isso foi muito intenso no passado. Hoje, adquiri o respeito. Eu dou o respeito, para que possa ser respeitado”, afirmou.

Michel Borges deixou a casa da família aos 16 anos e, desde então, vive sozinho. Aos pais, ele diz que deve apenas respeito.

“Meu pai não admite que eu seja homossexual. Ele fala aos amigos que eu sou artista. Quando chegam para ele e dizem que eu sou gay, ele responde: 'Meu filho é artista'. Apesar disso, ele e a minha mãe acham o meu trabalho legal. É uma opção de vida que escolhi pra mim desde que saí da casa deles e enfrentei o mundo. Aos meus pais, devo respeito, não satisfação”, disse.

 

Críticas a políticos

 

Nas últimas semanas, os áudios de Grampola que mais repercutiram foram sobre a política estadual. Nas gravações, ela criticou políticos envolvidos na delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), como o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB).

Ele garantiu que as críticas são feitas com base nos noticiários: “Eu acompanho a política, gosto de estar bem informado”.

Sobre a atual situação política do País e do Estado, Michel Borges lamentou: “O meio politico está criando poderes para eles mesmos, que estão os tornando imunes a tudo. A partir do momento que entram nesse meio, as pessoas ficam inatingíveis e fazem o que bem entendem do nosso município, do nosso estado e do Brasil”.

Abaixo, confira áudios da personagem, que circulam em aplicativos de mensagens, e um vídeo feito especialmente para o MidiaNews:

 

 

 

 
 

 

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