A Missão da Classe Política e o Homem Integral

Emanuel Pinheiro Filho

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É evidente, no mundo moderno, seja ao pensamento acadêmico de alta cultura, ou mesmo em meio ao pensamento popular dos mais simples, que o ser humano se transformou e se desenvolveu ao longo da história de maneira expressiva. Se evoluiu positiva ou negativamente, não cabe a mim neste espaço discutir. No entanto, é possível constatar que desde os séculos mais longínquos, a despeito da heterogeneidade da humanidade em suas distintas nações e culturas, o homem construiu, em favor de sua sobrevivência e de sua busca pela felicidade, hábitos, costumes, crenças, superstições, leis e tudo o mais que constitui o seu universo cultural e social. Ainda hoje o ser humano continua a se reformar e a se transformar, em vista de atingir o idealismo, o progresso e a verdadeira felicidade.

No entanto, está espalhado pela atmosfera social um fenômeno pouco observado e discutido que atua como impulsionador de ideias e atitudes equivocadas que acabam por influenciar políticas públicas danosas, tanto no campo pragmático como no campo ético. É o constante isolamento da política de todas as outras esferas que compõem o espírito humano e que, em conjunto com aquela, visam o bem comum e saciam as demandas humanas como nos reportava Aristóteles, filósofo grego do século IV A.C. 

O complexidade do ser humano, com todas as suas nuances e peculiaridades tem a sua natureza bem expressa no versículo cristão que afirma: “nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Em uma conotação sociopolítica, ousaria, com toda a licença, expandir o seu significado: “nem só de pão vive o espírito humano, mas de saúde, moradia, educação, religiosidade, moral, costumes, direito, filosofia, crenças, segurança, saneamento básico, igualdade, justiça social e todos os pilares que proporcionam o alicerce necessário para o seu desenvolvimento e sua evolução, proporcionadas sempre em consonância com a sua liberdade de ser.

A partir da compreensão dessa totalidade, que rejeita a ideia reducionista do homem como animal que nasce, vive, trabalha e morre, enxerga-se o ser humano como espírito fantástico voltado para a eternidade, seja da eternidade histórica, seja a eternidade em Deus. Somente a partir dessa perspectiva se pode enxergar com clareza a bela, nobre e exigente missão da classe política e dos partidos, tão descaracterizada e distorcida em nossos dias: desmontar o campo da sectarização política e cultural em relação ao homem; reconhecer os valores, expectativas e anseios da sua gente; tomar posse do poder que lhe foi concedido pelo seu povo; e lutar para que a sua parcela de poder promova as medidas necessárias para atender os cidadãos em sua integralidade e, assim, oferecer o campo básico para que estes possam trilhar o caminho da sua felicidade pessoal.

Como diria Abraham Lincoln: “A democracia e o poder são do povo, pelo povo, para o povo”.

Emanuel Pinheiro Filho, estudante de Direito e Ciências Políticas. Presidente da juventude do MDB no município de Cuiabá.

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